Sustentabilidade, inovação e mercado: os temas estratégicos que estarão no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão
Maior exportador mundial de algodão desde 2024 e terceiro maior produtor da pluma, o Brasil chega ao 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) em um momento de protagonismo para a cotonicultura nacional. Sob o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, a 15ª edição do congresso reforça o compromisso da cadeia produtiva com a sustentabilidade, a inovação e a rastreabilidade, evidenciando os avanços que consolidam o país como referência mundial na produção da fibra natural.
Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o encontro será realizado de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte (MG), reunindo produtores, pesquisadores, consultores, estudantes, representantes da indústria, empresas e lideranças do agronegócio. Considerado o principal fórum técnico e científico da cotonicultura brasileira, o evento contará com plenárias técnicas, palestras estratégicas, hubs temáticos, workshops, minicursos, apresentação de trabalhos científicos e uma ampla área de exposição, promovendo a troca de conhecimento, inovação, networking e oportunidades de negócios em toda a cadeia do algodão. Mais informações, inscrições e a programação completa estão disponíveis no site oficial do evento.
Congresso debate temas estratégicos em cenário de recordes no mercado
O Brasil alcançou, em 2024, o posto de maior exportador mundial de algodão, antecipando uma meta que era projetada para o fim da década. No ano comercial 2024/2025, a produção brasileira de algodão atingiu 4,11 milhões de toneladas, enquanto as exportações somaram 2,83 milhões de toneladas, consolidando a competitividade do país no mercado internacional. No ciclo 2025/2026, o setor voltou a alcançar um marco histórico ao ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 3 milhões de toneladas exportadas em um único ano comercial, reforçando a liderança brasileira no comércio global da fibra.
Esse desempenho é resultado de investimentos contínuos em tecnologia, pesquisa e organização da cadeia produtiva, fatores que estarão no centro das discussões do Congresso. Ao longo da programação, especialistas, pesquisadores e lideranças do setor irão debater os desafios e as oportunidades que devem orientar o futuro da cotonicultura.
Entre os principais temas está a inovação aplicada ao campo. Nas últimas duas décadas, o melhoramento genético, a mecanização e a adoção de novas tecnologias permitiram elevar significativamente a produtividade por hectare e a qualidade da fibra, tornando o Brasil uma referência mundial sem necessidade de expansão expressiva da área cultivada. Atualmente, o algodão ocupa apenas 0,25% do território brasileiro, demonstrando que o crescimento da produção tem sido sustentado principalmente por ganhos de eficiência.
A sustentabilidade também ocupa posição central na agenda do setor. Segundo o último levantamento, da safra 2024/2025, 79% das fazendas produtoras de algodão do país são certificadas pelo Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e pela Better Cotton. Na safra 2023/2024, a pluma brasileira respondeu por mais de 36% de todo o algodão certificado socioambientalmente no mundo, evidenciando o compromisso da cadeia produtiva com práticas responsáveis e reconhecidas internacionalmente.
Outro tema estratégico é a rastreabilidade. Em um mercado em que marcas e consumidores buscam conhecer a origem dos produtos, o algodão brasileiro desenvolveu sistemas capazes de acompanhar cada fardo desde a fazenda até a indústria. Ferramentas como o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e o programa Sou ABR utilizam tecnologias de rastreamento e blockchain para garantir transparência ao longo de toda a cadeia produtiva, agregando valor à fibra brasileira.
Posicionamento da fibra natural
A agenda do Congresso também contempla os desafios relacionados ao mercado, à competitividade internacional e ao fortalecimento do algodão como fibra natural de confiança. Em um cenário de crescente demanda por matérias-primas renováveis, rastreáveis e produzidas com responsabilidade socioambiental, o setor brasileiro busca ampliar sua presença nos mercados globais, consolidando o algodão como uma escolha estratégica para uma indústria têxtil mais sustentável. Nesse contexto, temas como inovação, governança, transparência e posicionamento estratégico estarão no centro dos debates da Plenária Conexões.
“Ao reunir esses assuntos em um único ambiente de discussão, o Congresso Brasileiro do Algodão reafirma seu papel como um dos principais fóruns de conhecimento e construção de soluções para a cadeia produtiva. Com a demanda crescente por qualidade, sustentabilidade e competitividade, os debates promovidos pelo evento contribuirão para definir os próximos passos da cotonicultura brasileira”, avalia Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa e 15ª edição do evento.