Qualidade da fibra ganha protagonismo na competitividade da cotonicultura brasileira

Qualidade da fibra ganha protagonismo na competitividade da cotonicultura brasileira

25 maio 2026, por Redator CBA

Em conversa com o pesquisador João Paulo Saraiva Morais, da Embrapa Algodão, buscamos identificar tendências e possibilidades de pesquisa na área de Colheita, Beneficiamento, Qualidade de Fibra e do Caroço. Segundo o especialista, a qualidade da fibra tem assumido papel cada vez mais estratégico na competitividade da cadeia do algodão, influenciando diretamente o valor comercial da pluma e o posicionamento do produtor nos diferentes mercados consumidores.

Características como comprimento, resistência e micronaire determinam o direcionamento da fibra para segmentos mais ou menos valorizados pela indústria têxtil mundial.

Mercados mais exigentes tendem a remunerar melhor fibras longas, resistentes e com micronaire intermediário, enquanto materiais mais curtos ou frágeis acabam destinados a mercados de menor valor agregado. Nesse cenário, compreender as demandas específicas de cada comprador e alinhar genética, manejo e processamento torna-se fundamental para ampliar a rentabilidade das fazendas.

A escolha das cultivares também exerce influência direta sobre o potencial de qualidade da fibra. Algumas características são predominantemente determinadas pela genética, enquanto outras dependem da interação entre genética e ambiente, como disponibilidade hídrica, nebulosidade e pressão de pragas, que podem afetar a deposição de celulose e aumentar o risco de quebra da fibra durante a colheita e o beneficiamento.

“O algodão é uma cultura altamente influenciada pela interação entre ambiente, manejo e genética. Por isso, é importante que os produtores acompanhem informações técnicas e entendam como as cultivares irão responder às condições específicas de cada fazenda”, explica João Paulo.

O manejo agronômico e o beneficiamento também possuem impacto relevante sobre a integridade da fibra e a qualidade da semente. Capulhos imaturos tendem a apresentar fibras menos resistentes, enquanto etapas como descaroçamento e limpeza mecânica podem intensificar danos à pluma, principalmente quando o controle de umidade não é realizado de forma adequada.

Outro desafio importante para o setor está relacionado à contaminação da pluma. Materiais vegetais, fragmentos de casca de sementes e principalmente resíduos plásticos provenientes das lonas utilizadas nos módulos de algodão comprometem a classificação comercial do produto, reduzem o valor da fibra e afetam a produtividade das fiações.

Mesmo com os avanços da pesquisa, ainda existem lacunas importantes envolvendo a interação entre genética, ambiente e processamento. Segundo o pesquisador, estudos voltados ao monitoramento da qualidade e ao desenvolvimento de sistemas de apoio à decisão devem contribuir para o fortalecimento da cotonicultura brasileira e para a produção de fibras cada vez mais valorizadas pelo mercado.

 

Submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA

Pesquisadores, estudantes e profissionais já podem submeter trabalhos para o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O envio começou em 1º de abril de 2026 e deve ser feito pelo sistema do evento, mediante inscrição.

No site oficial estão disponíveis regulamento, tutorial e template. Trabalhos aprovados pela comissão, coordenada por Rafael Galbieri, concorrem à premiação científica, um dos destaques do congresso.

Na última edição, foram reconhecidos estudos em áreas como qualidade da fibra, melhoramento genético, sistemas de produção e agricultura digital, além de orientadores pelo papel na formação de novos pesquisadores.

Sobre o CBA

O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.