Melhoramento genético e biotecnologia impulsionam o futuro da cotonicultura brasileira

Melhoramento genético e biotecnologia impulsionam o futuro da cotonicultura brasileira

25 maio 2026, por Redator CBA

Em conversa com o pesquisador Jean Belot, do IMAmt, buscamos identificar tendências e possibilidades de pesquisa na área de Melhoramento Vegetal e Biotecnologia. Segundo o especialista, o melhoramento genético do algodoeiro ocupa papel estratégico na cadeia produtiva, sendo responsável por definir tanto o potencial produtivo quanto a qualidade da fibra que chega à indústria têxtil.

As variedades precisam acompanhar as demandas do mercado e se adaptar às diferentes condições de solo, clima e manejo encontradas nas regiões produtoras. Nesse contexto, fatores como produtividade, resistência a pragas e doenças, estabilidade produtiva e qualidade da fibra seguem entre os principais desafios da cotonicultura.

A interação entre genética e ambiente também ganha destaque nas pesquisas. Algumas variedades apresentam ampla adaptabilidade, enquanto outras respondem melhor a condições específicas, como determinados tipos de solo ou manejo agronômico. Por isso, compreender o comportamento de cada cultivar em diferentes ambientes tornou-se essencial para reduzir riscos e ampliar a eficiência produtiva.

A biotecnologia ampliou significativamente as possibilidades do melhoramento tradicional. Ferramentas como marcadores moleculares, seleção genômica e tecnologias transgênicas permitem acelerar o desenvolvimento de cultivares mais competitivas, resistentes e adaptadas às necessidades do campo. Segundo Jean Belot, esses recursos já fazem parte da rotina da maioria dos programas de melhoramento do algodoeiro no Brasil.

Entre os avanços recentes, o pesquisador destaca o desenvolvimento de variedades resistentes a nematoides e doenças, reduzindo a necessidade do uso de defensivos químicos e contribuindo para sistemas de produção mais sustentáveis. “Ao mesmo tempo, ainda existem desafios importantes relacionados à variabilidade climática, ao controle de pragas e à necessidade de manter ganhos genéticos consistentes em produtividade e qualidade de fibra”, diz o especialista.

O fortalecimento da pesquisa científica será decisivo para sustentar a competitividade do Brasil na cotonicultura mundial. Sem uma pesquisa forte e contínua, será muito difícil enfrentar os desafios futuros da cadeia produtiva e manter os avanços do melhoramento genético no algodoeiro.


Submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA

Pesquisadores, estudantes e profissionais já podem submeter trabalhos para o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O envio começou em 1º de abril de 2026 e deve ser feito pelo sistema do evento, mediante inscrição.

No site oficial estão disponíveis regulamento, tutorial e template. Trabalhos aprovados pela comissão, coordenada por Rafael Galbieri, concorrem à premiação científica, um dos destaques do congresso.

Na última edição, foram reconhecidos estudos em áreas como qualidade da fibra, melhoramento genético, sistemas de produção e agricultura digital, além de orientadores pelo papel na formação de novos pesquisadores.

Sobre o CBA

O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.