Fitopatologia e nematologia em foco: desafios e oportunidades de pesquisa no algodão
Para entender as principais tendências de pesquisa na área de Fitopatologia e Nematologia aplicadas à cotonicultura, conversamos com o pesquisador Dr. Fabiano José Perina sobre os temas que vêm ganhando destaque e o potencial de desenvolvimento científico voltado ao manejo de doenças e nematoides no algodoeiro.
Entre os principais desafios fitossanitários da cultura está a ramulária, uma das doenças foliares mais importantes do algodão no Brasil. Segundo Perina, os avanços da pesquisa permitiram ampliar a compreensão sobre a dinâmica da doença e aprimorar estratégias de manejo como: ajuste populacional de plantas, definição da janela de plantio, uso de cultivares resistentes e posicionamento mais eficiente dos fungicidas.
Já a mancha-alvo vem aumentando sua importância nas regiões produtoras e exige maior atenção da pesquisa. A complexidade do fungo Corynespora cassiicola, capaz de sobreviver em diferentes hospedeiros e nos restos culturais, torna o manejo mais desafiador e reforça a necessidade de estudos voltados à epidemiologia, resistência genética e manejo integrado.
Outro tema promissor envolve o uso de tecnologias inteligentes no monitoramento fitossanitário. Ferramentas como drones, sensoriamento remoto e inteligência artificial podem contribuir para a detecção precoce de doenças, identificação de áreas de risco e tomada de decisão mais assertiva no campo.
O manejo integrado segue como uma das principais estratégias para reduzir a severidade das doenças sem elevar excessivamente os custos de produção. A integração entre cultivares resistentes, monitoramento constante e uso racional de fungicidas tem permitido maior eficiência no controle e melhor sustentabilidade do sistema produtivo.
Na área de nematologia, os principais desafios envolvem Meloidogyne enterolobii e Rotylenchulus reniformis, responsáveis por perdas significativas de produtividade. Uma das limitações atuais está no diagnóstico precoce, já que os sintomas geralmente aparecem quando a população de nematoides no solo já se encontra elevada.
“O fortalecimento do microbioma do solo também representa uma importante frente de pesquisa, contribuindo para sistemas mais resilientes, sustentáveis e com maior capacidade natural de supressão de patógenos”, explica o Dr. Fabiano.
Diante da ausência de resistência genética efetiva para Meloidogyne enterolobii, estratégias como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura não hospedeiras, agentes biológicos e aumento da matéria orgânica do solo têm apresentado resultados promissores na redução populacional dos nematoides.
Submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA
Pesquisadores, estudantes e profissionais já podem submeter trabalhos para o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O envio começou em 1º de abril de 2026 e deve ser feito pelo sistema do evento, mediante inscrição.
No site oficial estão disponíveis regulamento, tutorial e template. Trabalhos aprovados pela comissão, coordenada por Rafael Galbieri, concorrem à premiação científica, um dos destaques do congresso.
Na última edição, foram reconhecidos estudos em áreas como qualidade da fibra, melhoramento genético, sistemas de produção e agricultura digital, além de orientadores pelo papel na formação de novos pesquisadores.
Sobre o CBA
O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.