Algodão em foco: caminhos científicos para produtividade e sustentabilidade no campo

Algodão em foco: caminhos científicos para produtividade e sustentabilidade no campo

12 maio 2026, por Redator CBA

Para entender as principais tendências da pesquisa na área de Produção Vegetal – Fisiologia, Fitotecnia, Nutrição de Plantas e Sistemas de Produção, conversamos com o pesquisador Fernando Mendes Lamas, da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), sobre os temas que vêm ganhando destaque e o potencial de desenvolvimento científico dentro da cotonicultura brasileira.   

A pesquisa agronômica tem sido fundamental para o avanço da cotonicultura brasileira, impulsionando produtividade e qualidade da fibra. Entre os destaques estão novas cultivares, o uso de plantas de cobertura e sistemas mais sustentáveis, como o plantio direto, que também melhoram a saúde do solo e aumentam a resiliência climática.  Apesar disso, ainda há desafios, como a destruição dos restos culturais para o controle do bicudo-do-algodoeiro, praga que eleva os custos de produção e demanda novas soluções que integrem sustentabilidade e viabilidade econômica.                                                                                                      

Os estudos conduzidos pela Embrapa em diferentes regiões do Brasil, como Primavera do Leste (MT), Santa Helena de Goiás (GO) e Santo Antônio de Goiás (GO) e por Luis Eduardo Magalhães Ba, têm demonstrado resultados consistentes sobre a eficiência do sistema plantio direto. Experimentos de longa duração, com mais de uma década, evidenciam ganhos expressivos em produtividade, estabilidade produtiva ao longo do tempo e redução das emissões de gases de efeito estufa. Esses resultados são reforçados por iniciativas em parceria com instituições como a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), que vêm analisando sistemas produtivos no oeste da Bahia.

O sistema plantio direto, fundamentado no não revolvimento do solo, na rotação de culturas e na cobertura permanente do solo, mostra-se especialmente relevante em regiões tropicais. Esse modelo favorece o aprofundamento do sistema radicular do algodoeiro, melhora a infiltração de água e aumenta a tolerância da cultura a períodos de déficit hídrico. Além disso, contribui para a mitigação de impactos ambientais, consolidando-se como uma estratégia-chave para a sustentabilidade agrícola.

Outro campo promissor para estudos científicos é o manejo do crescimento do algodoeiro. Por se tratar de uma planta de crescimento indeterminado, o equilíbrio entre o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo é fundamental para garantir produtividade e qualidade da fibra. O uso de reguladores de crescimento, baseado em monitoramento criterioso das plantas, permite controlar o porte e favorecer a retenção de frutos nas partes mais produtivas da planta. No entanto, o manejo inadequado pode resultar em perdas produtivas ou aumento de custos, o que reforça a importância de pesquisas aplicadas e recomendações técnicas baseadas em evidências.

“A rotação de culturas também se destaca como um eixo estratégico para as investigações. Diferentemente da simples sucessão, a rotação envolve a alternância planejada de espécies ao longo do tempo, contribuindo para o controle de pragas, doenças, plantas daninhas e nematoides, além de melhorar a fertilidade do solo. Culturas como soja, milho, sorgo e gergelim, aliadas ao uso de plantas de cobertura como milheto, braquiária e crotalária, desempenham papel fundamental na construção de sistemas produtivos mais equilibrados e eficientes”, explica Dr. Fernando.

As plantas de cobertura, por sua vez, oferecem múltiplos benefícios: promovem a ciclagem de nutrientes, melhoram a estrutura do solo, aumentam a retenção de umidade e reduzem processos erosivos. Além disso, atuam diretamente no controle de plantas daninhas ao limitar a incidência de luz no solo, dificultando a germinação de espécies fotoblásticas positivas, como a buva.

A integração entre plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura representa, segundo a literatura científica, o modelo mais adequado para sistemas agrícolas tropicais. Essa abordagem integrada resulta em maior estabilidade produtiva, melhoria contínua do solo e viabilidade econômica, ambiental e social, pilares essenciais da sustentabilidade.

Diante desse panorama, os temas relacionados ao manejo integrado do algodoeiro oferecem amplo potencial para o desenvolvimento de trabalhos científicos. Questões como controle de pragas, sistemas de produção sustentáveis, manejo do crescimento, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura constituem áreas férteis para investigação, capazes de contribuir não apenas para o avanço do conhecimento, mas também para a transformação prática da agricultura brasileira.

 

Submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA

Pesquisadores, estudantes e profissionais já podem submeter trabalhos para o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O envio começou em 1º de abril de 2026 e deve ser feito pelo sistema do evento, mediante inscrição.

No site oficial estão disponíveis regulamento, tutorial e template. Trabalhos aprovados pela comissão, coordenada por Rafael Galbieri, concorrem à premiação científica, um dos destaques do congresso.

Na última edição, foram reconhecidos estudos em áreas como qualidade da fibra, melhoramento genético, sistemas de produção e agricultura digital, além de orientadores pelo papel na formação de novos pesquisadores.

 

Sobre o CBA

O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.