Agricultura inteligente avança no algodão com sensores, IA e monitoramento climático
Em conversa com a pesquisadora Ziany Neiva Brandão, da Embrapa Algodão, buscamos identificar tendências e possibilidades de pesquisa na área de Agricultura Digital – Agricultura de Precisão e Inteligência Artificial aplicadas à cotonicultura. Segundo a especialista, a evolução da agricultura de precisão tem transformado a gestão das fazendas de algodão por meio da integração entre sensores climáticos, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial.
O uso dessas tecnologias permite monitorar, em tempo real, dados relacionados ao solo, clima, nutrição das plantas e incidência de pragas ou doenças, ampliando a capacidade de tomada de decisão no campo.
Com a expansão da conectividade e dos sistemas de comunicação, a coleta automatizada de dados passou a alimentar plataformas de gerenciamento agrícola cada vez mais sofisticadas. Sensores instalados em máquinas, equipamentos, estações meteorológicas, drones e satélites fornecem informações contínuas que, associadas a algoritmos e modelos preditivos, ajudam a prever riscos climáticos e a orientar ajustes no manejo da cultura.
Entre os principais ganhos agronômicos observados estão a otimização do uso da água na irrigação, a redução de desperdícios de insumos e o aumento da eficiência operacional. O monitoramento climático automatizado também auxilia no planejamento do plantio, da colheita e das aplicações agrícolas, reduzindo perdas associadas a veranicos, eventos extremos e ataques de pragas.
“A inteligência artificial desempenha papel estratégico nesse cenário ao analisar grandes volumes de dados históricos e gerar simulações capazes de apoiar decisões mais assertivas no manejo do algodoeiro. No entanto, a pesquisadora destaca que os resultados dependem da qualidade dos dados coletados e da presença de profissionais capacitados para interpretar corretamente as informações geradas pelos sistemas”, explica Ziany.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes para ampliar a adoção dessas tecnologias no campo, especialmente em regiões tropicais. A limitação da infraestrutura de conectividade no meio rural, associada à necessidade de investimentos em equipamentos e mão de obra especializada, continua sendo um dos principais entraves para a consolidação das chamadas fazendas inteligentes no Brasil.
Mesmo assim, evidências científicas demonstram que a agricultura de precisão contribui diretamente para aumentar a eficiência no uso de insumos e reduzir custos de produção. Tecnologias já consolidadas, como máquinas guiadas por GPS e aplicações localizadas, diminuem desperdícios e tornam o sistema produtivo mais eficiente, sustentável e rentável para o produtor rural.
Submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA
Pesquisadores, estudantes e profissionais já podem submeter trabalhos para o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O envio começou em 1º de abril de 2026 e deve ser feito pelo sistema do evento, mediante inscrição.
No site oficial estão disponíveis regulamento, tutorial e template. Trabalhos aprovados pela comissão, coordenada por Rafael Galbieri, concorrem à premiação científica, um dos destaques do congresso.
Na última edição, foram reconhecidos estudos em áreas como qualidade da fibra, melhoramento genético, sistemas de produção e agricultura digital, além de orientadores pelo papel na formação de novos pesquisadores.
Sobre o CBA
O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.