Com, aproximadamente, três mil participantes, quase o dobro do previsto inicialmente pela comissão organizadora, terminou nesta quinta-feira (29/08) o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA), o maior evento da cotonicultura nacional, realizado este ano no Centro de Convenções de Goiânia/GO, desde a terça-feira (27/08). Um show do cantor goiano Leonardo, ícone do estilo sertanejo no Brasil, quebrou a tradição de evento sem atrações de entretenimento, para celebrar a passagem dos 20 anos da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), realizadora do congresso. A data foi lembrada em diversos momentos ao longo dos três dias, com homenagens a todos os dirigentes que já passaram pelo comando da associação. O 12ºCBA contou com o apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e científico da Embrapa, além de 29 empresas patrocinadoras.

Dentre os presentes, estiveram representantes de 21 estados e 12 países, difundindo e adquirindo conhecimentos sobre a pluma, em uma megaestrutura de quase 11 mil metros quadrados de área construída. Inovações no formato e no conteúdo, fizeram parte da estratégia da Abrapa para tornar o 12º CBA ainda mais dinâmico e diversificado, em linha com os novos tempos da produção de algodão, considerada a cultura que é considerada a “vitrine da agricultura do amanhã”.

Em seu discurso de encerramento, o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, ressaltou a honra que sentiu ao ver o seu mandato coincidindo com o aniversário de duas décadas de existência da Abrapa. “Isso o torna ainda mais especial, e o melhor é que pudemos reunir no mesmo palco todos os líderes que já assumiram o comando da entidade, dispostos e atuantes”, enfatizou. Segundo Garbugio, os frutos do congresso retornam para a cotonicultura, “e esta, cada vez mais avançada, exige que, ao pensarmos o conteúdo do evento, estejamos sempre mirando adiante”, concluiu.

O 12° CBA em números

  • 2100 inscritos, quase 3.000 participantes
  • 05 workshops
  • 24 salas temáticas
  • 06 plenárias
  • 107 palestrantes
  • 175 trabalhos científicos
  • 29 patrocinadores que apostaram e acreditaram no evento
  • 10 startups
  • Representantes de 21 estados e 12 países
  • Quase 11.000 m2 de área construída.
  • Mais de 1000 pessoas envolvidas na produção e construção do evento.
  • 18 meses de planejamento e trabalho de pré-produção

Ciência incentivada

A pesquisa científica, grande pano de fundo do Congresso do Algodão, ganhou ainda mais destaque este ano, estimulada por prêmios atrativos, como viagens para participar de eventos internacionais da cotonicultura, bolsas de estudo no valor de R$10 mil, dentre outros, para estudantes, pesquisadores e professores-orientadores que submeteram seus trabalhos científicos sobre o algodão.

De acordo com o coordenador científico do congresso, Jean Bèlot, o objetivo das comissões Organizadora e Científica do congresso foi incentivar as universidades a direcionar trabalhos de pesquisa para o algodão. “À medida em que passa o tempo, nas diversas edições do congresso, vemos que o algodão perde espaço nas prioridades de pesquisa das universidades brasileiras. Isso nos preocupa e foi a razão de termos proposto à organização que incrementasse os prêmios. Não podemos aceitar que uma cadeia produtiva tão importante quanto o algodão não tenha uma pesquisa de alto nível”, argumentou Bèlot, agradecendo aos membros da comissão científica, uma equipe multidisciplinar formada por representantes da Embrapa, consultores, produtores rurais e universidades, Carlos Moresco, Celito Breda, Fábio Echer, Fernando Lamas, Liv Severino, Leandro Zancanaro, Marcio Souza, Odilon Silva, Paulo Degrande.

Prêmios e premiados

Melhor Trabalho Científico – Bolsa de pesquisa no valor de R$10 mil – Isabela Machado de Oliveira Lima.

Melhor Trabalho Pós-Graduação – Participação na Cotton Beltwilde Conference 2020, para Ilca Puertas de Freitas e Silva.

Melhores trabalhos Professores – Orientadores – Bolsa de R$10 mil para orientação de alunos de graduação e de pós-graduação na área de algodão: Tiago Zoz (Universidade do Mato Grosso do Sul) e Fábio Echer (Unoeste).

Categoria:

  • Fitopatologia e Nematologia, Iuri Dario. (Prêmio: leitor de e-books Kindle)
  • Matologia e Destruição de Soqueira, Igor Guimarães Barbosa. (Prêmio: leitor de e-books Kindle).
  • Colheita, Beneficiamento, Qualidade da Fibra e do Caroço, Felipe Macedo Guimarães. (Prêmio: leitor de e-books Kindle).
  • Socioeconomia, Fábio Francisco de Lima. (Prêmio: tablet)
  • Agricultura digital – Agricultura de Precisão e Inteligência Artificial, Francielle Moreli Ferreira.
  • Produção Vegetal – Fisiologia, Fitotecnia, Nutrição de Plantas e Sistema de Produção, Julio Cesar Bogiani. (Prêmio: tablet)
  • Controle de Pragas – Entomologia e Biotecnologia, DaniloRenatoSantiagoSantana(Prêmio: Participação em congresso brasileiro na área temática de pesquisa do vencedor)
  • Melhoramento Vegetal e Biotecnologia, Saulo Muiniz Martins. (Prêmio: Participação na World Cotton Research Conference, no Egito, em 2020)

Cotonicultura: onde o futuro chega antes

O clima futurista deu o tom à programação do último dia, que debateu conectividade e o impacto das novas tecnologias que estão sendo rapidamente assimiladas no campo, acarretando transformações nos processos produtivos, relacionamentos e, principalmente, no modo de pensar.

Conectividade no campo para um agronegócio mais eficiente é tema em destaque no último dia do 12º CBA

Em um evento que tem o futuro como tema central, a conectividade não poderia ficar de fora da pauta de discussões. Por conta disso, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão realizou, nesta quinta-feira (29.08), plenária sobre a seguinte questão: “A falta de conectividade é um obstáculo para tornar o agronegócio mais eficiente e inovador?”. Participaram do debate o diretor Comercial da Telebras, Hélcio Vieira Junior, o head de Produtos Corporativos & IoT na TIM Brasil, Alexandre Dal Forno, e o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Na sua apresentação, Hélcio Vieira Junior falou sobre o Projeto Internet para Todos, criado pelo Ministério de Ciência Tecnologia e Informação com o objetivo de levar banda larga a regiões e municípios sem acesso ou com acesso precário à Internet. Segundo ele, a Telebras já conta com 32 mil km de fibra ótica instalados, atendendo a 1.524 municípios e a uma população de 130 milhões de pessoas.

“Nossa meta é, a partir do próximo ano, estarmos presentes em 100% do país, com 34 mil km de fibra ótica, para atender a um potencial de 208 milhões de pessoas, em 5.570 municípios”, afirmou o diretor Comercial da Telebras. Vieira destacou ainda a utilização de seu satélite Telebras SAT, que cobre todo o território nacional e conta, atualmente, com 9 mil postos no país, e meta de ampliação, em breve, para 50 mil. “Seremos não só a empresa como maior cobertura, como teremos a maior capacidade de atendimento”.

Na sequência, o representante da TIM falou sobre a mobilização do grupo para viabilizar internet no campo a um custo mais acessível. “Estamos nesta área há dois anos e percebemos que a necessidade não era só levar a internet das coisas para o campo. O agricultor já atua hoje com muita tecnologia embarcada nas máquinas, o que é preciso é trabalhar os processos digitais. Sem a conectividade, não há agricultura 4.0”, destacou. De acordo com o executivo, a TIM lidera a internet 4G nas áreas rurais, marcando presença em 3.300 municípios brasileiros. “É importante ressaltar, no entanto, que, além dos equipamentos e da oferta instalada, é preciso capacitar as pessoas que vão atuar com este modelo de agricultura”.

Já o CEO da SLC Agrícola Aurélio Pavinato mostrou os resultados dos investimentos em tecnologia digital promovidos nas 16 fazendas da empresa distribuídas em seis estados brasileiros, nas áreas de planejamento agrícola, manejo das culturas e dados climáticos. Entre os avanços citados pelo executivo, estão melhorias na gestão da frota de máquinas e dos dados metereológicos, na comunicação entre os trabalhadores, na gestão dos dados meteorológicos, no controle do plantio e no levantamento de pragas e doenças, além de uma maior eficiência no processo de pulverização, com economia de até 75% no uso de herbicidas.

Na opinião de Pavinato, as novas tecnologias representam mais do que uma melhoria incremental para o setor. “A agricultura digital está sendo e será uma revolução no manejo das culturas e dos insumos e quem não investir nesta tecnologia estará fora do jogo”, alertou o CEO da SLC Agrícola. Na visão do executivo, a tendência para os próximos anos é de que o avanço tecnológico resulte em queda no preço final dos produtos, globalmente “A nossa margem de lucro virá da nossa eficiência”, salientou o executivo, chamando atenção também para o grande potencial de avanço que há para a modernização da gestão agrícola no Brasil. “Na comparação com a indústria, a agricultura está menos desenvolvida no que diz respeito à gestão dos processos produtivos”.

A agricultura do amanhã ainda não chegou e já precisa mudar

De acordo com o futurista Tiago Mattos, os produtores devem estar preparados para tudo porque todas as mudanças que estão acontecendo no mundo impactam o negócio algodão

A agricultura do amanhã se constrói agora, quebrando paradigmas e exigindo do produtor uma visão de negócio ampliada, para além do algodão. O presidente do Grupo Atto, Odílio Balbinotti e o futurista Tiago Mattos, encerraram as plenárias neste último dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), mostrando aos mais de dois mil participantes, nesta manhã desta quinta-feira (29), uma abordagem inovadora para a cultura algodoeira no Brasil.

“O sucesso do passado não garante nada no futuro. Hoje não pensamos somente em máquinas e implementos, mas também em processamento, transmissão de dados e armazenamento em nuvens. A agricultura digital chegou e temos que estar preparados para esta realidade”, afirma Balbinotti, presidente do Grupo Atto, que está no mercado há 40 anos produzindo sementes em Alto Garças, no Mato Grosso. Segundo ele, a chegada da agricultura digital é fundamental para a manutenção da competitividade e o desenvolvimento de novas tecnologias, capazes de mudar paradigmas na agricultura brasileira.

Balbinotti acredita que o ambiente agro atual já está baseado na informação e se o volume de dados coletados em campo não for gerenciado adequadamente, de nada adiantam tantos avanços tecnológicos. “Até 2020, cerca de 50 bilhões de dados estarão conectados à Internet. Quando chegarmos a 2030 este número será de 1 trilhão”, informa o presidente do Grupo Atto, explicando que para colocar esses dados em prática e melhorar substancialmente a produção, cada empresa terá que analisar as informações por meio da gestão do conhecimento, utilizando todas as ferramentas tecnológicas disponíveis. Entre elas, Balbinotti citou a telemetria, os sensores em implementos agrícolas, estações e radares meteorológicos, além da implantação de B.I (Business Intelligence) apropriados para cada fazenda. “As possibilidades são inimagináveis, mas, se não estivermos conectados a tudo isso, ficaremos para trás”.

Neste cenário, o futurista Tiago Mattos que falou sobre a “Mudança de era e o pensamento digital”. Segundo ele, quem não pensa sobre o futuro só resolve o presente com as ferramentas do passado. “O que está mudando no mundo hoje, em qualquer área, pode impactar no mercado têxtil e, consequentemente, na produção de algodão”, avalia o estudioso, que trouxe cases de tecnologias inovadoras capazes de interferir no comportamento do consumidor, desde o pensamento, até a opção de compra do produto.

Para citar alguns exemplos, Mattos apresentou as roupas flexíveis que crescem junto com a pessoa, tecidos vivos e mais duráveis, impressão 3D reciclada e os humanos digitais. “Todas essas tecnologias impactam na nossa vida social e, portanto, na nossa maneira de consumir tudo, inclusive o algodão. Se a gente não olhar para fora do nicho, levamos um tiro sem saber de onde vem”.

WORKSHOPS

Congressistas colocam em prática conhecimentos adquiridos no 12º CBA

A tarde deste último dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) foi dedicada à prática. Os congressistas que participaram do workshop “Produtividade e mapeamento de plantas” aprenderam um pouco mais sobre a importância e as formas de mapear adequadamente as lavouras, utilizando tecnologias simples e de fácil acesso.

Eles tiveram acesso a um ambiente virtual no qual responderam a perguntas sobre a fenologia, dentro de um teste elaborado especificamente para a atividade. “Precisamos saber como é e de que forma funciona o algodoeiro para, então, manejar a planta”, explica o especialista da Universidade de São Paulo (Usp), Ciro Rosolem, acompanhado por Fábio Echer e Juan Piero Antonio Raphael. “O objetivo da atividade é ensinar como identificar estágios fenológicos das plantas, realizar o mapeamento delas e interpretar esses resultados para executar a decisão do manejo”, acrescenta Fábio Echer, que coordenou a parte prática da tarde.

Segundo Juan Piero, com o mapeamento, é possível estabelecer um método prático de caracterização da morfologia e do padrão de florescimento das plantas pelo registro de local das estruturas frutíferas ou vegetativas. “A finalidade é fazer um diagnóstico para a tomada de decisões durante a colheita e a constatação de fenômenos anteriores”, completa o especialista, reafirmando que todas as ferramentas disponíveis devem ser exploradas e colocadas em prática sempre.

12º CBA promove workshop sobre tecnologia e eficiência em pulverização

Entre os destaques do último dia da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que encerra nesta quinta-feira (dia 29), em Goiânia (GO), estão os workshops para tratar de assuntos de grande interesse dos produtores e profissionais ligados à cotonicultura. Um dos mais aguardados abordou o tema Tecnologia e eficiência em pulverização: diferentes técnicas e novos modelos de gerenciamentos. A atividade aconteceu das 14h30 às 18h, com a participação de seis palestrantes, todos especialistas em suas áreas.

O workshop foi coordenado pelo engenheiro agrônomo Marcos Souza, responsável pela área de Projetos e Difusão de Tecnologias do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt). Ele explicou que, durante a atividade, os participantes puderam conhecer mais sobre os sistemas avançados de aplicação de defesa fitossanitária do algodoeiro e novas abordagens para otimização dos recursos e redução de perdas, entre outros assuntos.

Cada palestrante abordou um tema específico. O coordenador Marcos Souza falou sobre Problemas fitopatológicos emergentes. O engenheiro Marcos Vilela, diretor da empresa MVL Defesa Vegetal, discorreu sobre Sistemas avançados de tecnologia de aplicação na defesa fitossanitária do algodoeiro. "É melhor controlar a praga na chegada do que na saída", disse Vilela, destacando que o bicudo e as lagartas são hoje os piores problemas da cultura do algodão. Entre as tecnologias abordadas pelo especialista, está o monitoramento avançado por radar, capaz de informar a intensidade e local de incidência das pragas, permitindo uma aplicação mais precisa e eficiente dos defensivos.

Marco Gandolfo, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná, diretor do Centro de Ciências Agrárias, é especialista na área de Tecnologia de Aplicação de Agroquímicos comandou a apresentação sobre Tecnologia de aplicação para otimização dos recursos e redução das perdas. Por sua vez, o engenheiro agrônomo da Embrapa Meio Ambiente, Aldemir Chaim, falou sobre Avanços e desafios da aplicação eletrostática na cultura do algodão.

Já o palestrante Leandro Costa, coordenador técnico de Agricultura de Precisão do Grupo Bom Futuro, abordou o tema Pulverização aérea e terrestre em grandes áreas do Cerrado: Avanços e Desafios. Daniel Padrão, CEO da empresa Solinftec, falou sobre Tecnologia e eficiência em pulverização: diferentes técnicas e novos modelos de gerenciamentos.

Novas aplicações de drones na agricultura são apresentadas durante 12o CBA

Com uma variedade de aplicações que inclui da identificação e localização de plantas invasoras à avaliação da qualidade do manejo, passando pela pulverização e controle biológico, os drones vêm ganhando espaço na paisagem rural, em ritmo acelerado. Algumas das principais novidades que estão despontando no mercado, nesta área, foram apresentadas durante o workshop Os drones na agricultura, realizado na tarde desta quinta (29.08), último dia da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que reuniu mais de 2 mil pessoas no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

“O drone tem hoje um mercado global em franca expansão e que cresce vertiginosamente”, anunciou, na abertura do workshop, o engenheiro elétrico Lucio de Castro Jorge, da Embrapa Instrumentação. De acordo com o pesquisador, a perspectiva é de que, até 2020, o mercado global de drones e geolocalização atinja a marca de US$ 127 bilhões – US$ 2 bilhões dos quais só no Brasil. Mais de 20% deste faturamento é obtido com as aplicações na agricultura. Ainda segundo ele, a cadeia produtiva do setor, que inclui equipamentos e prestação de serviços – já emprega 100 mil profissionais no Brasil.

Na sequência da abertura do workshop realizado no formato de um bate-papo descontraído entre os pesquisadores, o coordenador da rede de Agricultura de Precisão da Embrapa Ricardo Yassushi Inamasu proporcionou uma visão do impacto dos drones no contexto mais amplo dos avanços da chamada agricultura 4.0. “Ao contrário do que acontece com a indústria, a agricultura depende de uma série de fatores naturais para obter produtividade, então a principal oportunidade que estas tecnologias nos oferecem é de chegar até os dados para fazer as escolhas corretas no tempo certo”, resumiu Inamasu.

De acordo com os pesquisadores, os principais avanços na área atualmente não dizem respeito à qualidade ou a capacidade de voar dos veículos aéreos não tripulados, fabricados no Brasil e exterior em uma variedade de modelos e tamanhos, mas em tecnologias como, por exemplo, as dos sensores, que permitem aos drones não só capturar imagens em altíssima definição como monitorar a temperatura das plantas, possibilitado até, em alguns casos, identificar alterações metabólicas e químicas para a detecção precoce da infestação por pragas.

O workshop Os drones na agricultura contou ainda com a participação dos professores Murilo Maeda, especialista em algodão da Texas A&M AgriLife Extension, e Manuel Ferreira, coordenador do PRO-VANT, Núcleo de Pesquisas e Capacitação com Veículos Aéreos Não Tripulados da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Workshop busca soluções para desafios da cotonicultura

O workshop Construindo Soluções Inovadoras para os Desafios Diários da Cotonicultura reuniu dezenas de participantes em um encontro em que a construção das respostas aos obstáculos do campo se deu de forma coletiva. A abertura foi feita pelo coordenador científico do 12º CBA, Jean Bèlot, que trabalhou de maneira a proporcionar a interação entre todos os participantes. “Queremos usar o conhecimento de vocês para saber do que precisam. Desse feedback sairão ideias que poderão ser concretizadas”, diz.

Tatiana Espíndola é facilitadora e moderadora de planejamento e conduziu o trabalho. “Onde há mais de três pessoas decididas a pensar juntos, eu entro para ajudar”, explica. O trabalho do workshop se fundamenta no diálogo e na co-criação como forma de atingir os objetivos. Os participantes foram divididos em grupos, nos quais participaram produtores, pesquisadores, técnicos, estudantes e empresários. Estes grupos trabalharam quatro temas: a); Quais os desafios e soluções inovadoras para encaixar o cultivo do algodoeiro na fazenda?; b) Quais os desafios e soluções inovadoras para resolver o operacional no dia a dia do manejo do algodoeiro?; c) Quais os desafios e soluções inovadoras para assegurar uma produção sustentável do algodão na fazenda?; d) Quais os desafios e soluções inovadoras para organizar colheita e beneficiamento para produzir uma fibra de qualidade? A primeira etapa ocorreu com um debate dentro do próprio grupo, no qual cada um apontou os desafios e buscou as soluções. A segunda etapa foi de compartilhamento dos resultados com os demais grupos.

Brainstorm

As equipes foram auxiliadas pelo professor Fernando Lamas, juntamente com Paulo de Grande, Liv Severino e o presidente da Agopa, Carlos Alberto Moresco, que atuaram como orientadores do brainstorm que ocorreu em cada grupo.

Ao fim da dinâmica, as principais ideias detectadas foram sobre antecipar os custos e a previsão de mercado, em um intervalo de tempo maior; definir o que será terceirizado e o que será feito com maquinário e pessoal próprios; antecipar contratos com prestadores de serviços; conhecer melhor os ambientes de cultivo; rotação de princípios ativos e uso preventivo de fungicidas; associar controle químico e biológico; manejo coletivo para combate ao bicudo, maior fiscalização e respeito ao vazio sanitário; oferecer oportunidade e capacitar jovens trabalhadores; além de reconhecer e valorizar o trabalhador.

Para Carlos Alberto Moresco, o importante é levar o conhecimento gerado no workshop para as equipes nas fazendas. “Temos de compartilhar o que construímos no encontro com nossos colegas de trabalho. Não podemos determinar o preço internacional, mas podemos trabalhar para reduzir os custos de produção”, aponta. Para a agrônoma Karen Bianchi, essa troca de informações e experiências cria um contexto em que todos aprendem algo. “É um formato dinâmico e muito produtivo”, ressalta.

Diversificação de culturas pode melhorar cultivo do algodão

Como a diversificação de culturas pode melhorar os sistemas de cultivo? Esse foi o questionamento feito durante um dos seis workshops da tarde desta quinta-feira (29), no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Participaram desta atividade os especialistas Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, Fábio Lima de Almeida Melo, Rafael Betiatto, Táimon Semler, Valmor dos Santos e Wanderley Oishi.

Na primeira parte do Workshop, as discussões giraram em torno dos desafios técnicos típicos das lavouras como a compactação do solo, presença de pragas, qualidade de sementes e regulação de maquinário. “A grande questão é que o produtor só toma a decisão quando já está afogado nos problemas. Agir no momento certo faz toda a diferença”, alerta Alexandre Ferreira, pesquisador da Embrapa Algodão. Segundo ele, como alguns resultados de intervenções demoram de dois a três anos para serem percebidos, a qualidade fitossanitária acaba sendo postergada.

Ainda assim, os especialistas acreditam que é importante diversificar os sistemas de cultivo, promovendo a rotação entre soja, milho e algodão, incluindo também a integração com a pecuária. “O que os produtores precisam entender é que há espaço para maior crescimento com a diversificação e os retornos financeiros comprovam isso nas fazendas que já trabalham dessa forma, apesar dessa ferramenta exigir mais investimentos com a busca de tecnologia e inovação”, finaliza.




O historiador, professor e escritor Leandro Karnal desafiou o público, explicando como interpretar tendências, definir ações e decidir situações que ainda estão por vir

“Panta Rei”, tudo muda. Para o historiador Leandro Karnal, essa teoria, criada pelo filósofo grego Heráclito, é a que melhor define a atualidade, cujo quadro político, moral e ético apresenta mudanças intensas em ritmo acelerado. Daí, a necessidade de clareza na definição das estratégias, palavra que já faz parte da rotina dos produtores de algodão no Brasil. Dentro desse conceito mais amplo, Karnal explicou aos participantes do 12º Congresso Brasileiro do Algodão que “O futuro começa hoje”. A plenária contou com a participação de dois mil congressistas na manhã desta quarta-feira (28), em Goiânia.

Em um mundo que consegue atomizar o conhecimento e colocar qualquer informação na palma das mãos, toda mudança é imperativa e rápida. “A sua realidade ligada ao algodão é única. Nada é da mesma forma e todos os participantes deste Congresso voltarão diferentes para suas fazendas e unidades produtivas”, afirma. “Saímos do poderio da força física, passamos para a era dos ditames do capital e hoje estamos diante do poder implacável da inteligência, grande responsável pela circulação da riqueza mundial”, avalia Karnal, ressaltando que são as criações, com base na sustentabilidade, na segurança e na confiança, que estão revolucionando a sociedade. “Então, podemos concluir que a criatividade e a capacidade de adaptação às mudanças são as principais ferramentas para o sucesso em qualquer área. E o cérebro humano é uma máquina eficaz nisso”, garante.

Mas, para chegar a esse ponto, é preciso sair da zona de conforto e encarar os desafios impostos nos cenários de crise. “Tudo o que me tranquiliza, me afasta do sucesso. Eu só mostro o meu melhor quando sou estimulado. Isso é do ser humano e é na crise que crescemos. Nossa vida é uma eterna administração de crise, mas é preciso ter em mente que as crises sempre passam”, diz o historiador ressaltando que o imperativo do universo é a mudança.

“Não mudar é fatal porque estamos num mundo volátil, repleto de incertezas, complexidade e ambiguidade”, explica Karnal, lembrando que quem planta algodão hoje não pode perder de vista que o mercado está globalizado. “A maneira de cultivar estava nas mãos dos mais velhos e agora, qualquer jovem de 16 anos sabe mais do que eu porque essa geração já nasce sabendo”. Então, segundo ele, o produtor tem que se renovar, reciclar e valorizar novas ideias, criar novos hábitos. “É hora de repensar estratégias, aplicativos, tecnologias porque o paradigma de ser produtor mudou. A todo instante mudam produtos, sementes e até modelos de gestão”.

Segundo Karnal, o ideal de futuro pode instigar o homem, mas, a verdade, é que ele nunca chega. “É simplesmente decorrência do presente. E o presente é cultivado por decisões do passado. Por isso, o ser humano não pode saber, nem sentir o futuro”. Dessa forma, o palestrante explica que o passado serve como experiência, o presente é o momento de agir e o futuro significa refletir sobre os caminhos que levam em direção ao que se quer, ou seja, a capacidade de se antecipar. “Mas isto não é futuro. É estratégia”, afirma.

Esta deve ser uma das tarefas do empreendedor na atualidade: a capacidade de antever situações e cenários; se adaptar, imaginar o que pode acontecer e, então, estar preparado para algo ainda novo. “Quem não se renova, não sai da zona de conforto e não se modifica, fica para trás. Nesse aspecto, o conhecimento é mola propulsora para evoluir na vida e nos negócios”, reforça Karnal, que lançou um desafio aos participantes: “Olhar além do ambiente imediato é importante em qualquer área. Busque, aspire, queira mais e conheça algo novo sempre. Traga a sustentabilidade, a segurança e confiança do produto para a planilha do Excel e crie novas relações”.

De acordo com Karnal, inserir inovação permanentemente numa lavoura algodoeira é ousar. “E essa característica também é fundamental porque, para plantar no Brasil, é preciso ousadia. Quem ousa tem mais chance de errar, mas o erro é uma mensagem para o planejamento e para a administração das fazendas. E, cada um desses erros, me torna melhor e me faz ver além do fim da safra”, reforça o historiador, lembrando que todos podem fazer muito mais do que acreditam. “E o custo de tudo isso é apenas o esforço. Seja a transformação que você quer no mundo. Então, tente fazer sempre o melhor, faça de forma boa, eficaz, efetiva e mude. Feito isso, você estará dando um passo matemático para o sucesso”.

Leandro Karnal é professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde 1996. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos - RS) e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), possui pós-doutorado no México e Paris. Suas abordagens aliam história cultural, antropologia e filosofia. É ainda escritor e membro do conselho editorial das principais publicações acadêmicas da área na Unicamp e na Unisinos.

Plenária coloca em pauta os desafios em infraestrutura e logística para o agronegócio

Nesta quarta-feira (dia 28), a plenária Infraestrutura e logística para um agronegócio forte reuniu, no final da manhã, o especialista em planejamento financeiro e estratégico de empresa, Marcos Ribeiro, e o fundador e sócio-diretor do Grupo Agroconsult, André Pessôa, para discutir as perspectivas do setor.

Empreendedor com mais de 25 anos de experiência no segmento de transporte, o CEO da Bravo Serviços Logísticos, Marcos Ribeiro, apresentou um panorama da situação do Brasil, nesta área, em comparação com os principais concorrentes da cadeia do agronegócio, como Estados Unidos e China.

“Somos o 8o maior PIB da economia mundial, o 56o país em desempenho logístico e o 50o em infraestrutura”, ressaltou Marcos Ribeiro, demonstrando, por meio de uma série de estatísticas, o cenário desfavorável para o país em fatores como custo logístico, extensão das ferrovias e rodovias pavimentadas, além da dependência em relação ao modal rodoviário.

De acordo com CEO da Bravo, estudos demonstram que será preciso um investimento de R$ 1 trilhão nos modais ferroviário, rodoviário e portuário para que o Brasil atinja um índice de desempenho logístico semelhante ao dos Estados Unidos. “Como vamos conseguir este um trilhão de reais ?”, indagou o empresário ao final da sua apresentação. “Com garantia jurídica, política e estabilidade. O governo precisa estabelecer parcerias público-privadas e criar um ambiente saudável para os investimentos“, finalizou.

Já o presidente da Agroconsult André Pessôa fez uma apresentação voltada para as perspectivas para o mercado de algodão “Se tem um setor que está acostumado a superar desafios, é o do algodão. Crescemos muito nos últimos 20 anos e, agora, estamos entrando em um novo patamar, que é consolidar o novo tamanho da cultura e desenvolver estratégias para não regredir”, disse André Pessôa, no início da sua apresentação. Ele destacou que, com a safra recorde colhida este ano, aumenta também o volume a ser exportado, que pode chegar a um total de 2 milhões de toneladas, caso as condições sejam favoráveis. A China continua sendo o principal comprador brasileiro.

O executivo falou também das perspectivas da cultura para os concorrentes do Brasil, especialmente os Estados Unidos, maior produtor mundial. “Ao contrário da safra passada, quando houve uma queda na produção, o algodão americano teve um ritmo normal, e deve colher cerca de 5 milhões de toneladas, um milhão a mais do que no ciclo anterior”. Já a Austrália, apesar de uma queda de produção, ainda conta com estoques, enquanto a Índia deve registrar uma boa produção.

De acordo com Pessôa, hoje sua grande preocupação é com a redução da demanda global por algodão. Em outubro de 2018, dados divulgados pela Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontavam uma demanda de 28 milhões de toneladas. Quase um ano depois, esta estimativa é de 26 milhões de toneladas.

“O algodão vem perdendo espaço no ‘market share’ para outras fibras naturais e sintéticas, por isso uma recuperação da indústria têxtil não significa um crescimento do algodão. Mas sofremos quando o setor têxtil não cresce”, disse. O empresário também ressaltou que é importante estar atento a reduções de exportação da China, apesar da guerra comercial daquele país com os EUA favorecere o Brasil.

André Pessôa falou ainda sobre questões como o preço do algodão no mercado mundial e o câmbio. “O câmbio com o dólar alto pode favorecer o produtor, mas isso vai depender muito do seu nível de endividamento na moeda americana”. Depois da apresentação dos palestrantes, foi aberto espaço para dúvidas e questionamentos dos participantes.

Desempenho das variedades de algodão disponíveis para o cerrado é debatido no 12º CBA

O Brasil é o quarto maior produtor de algodão e, na safra 2018/2019, conquistou o segundo lugar no ranking de maiores exportadores mundiais da pluma. Dados otimistas da Embrapa revelam ainda, que esta é a quarta cultura mais importante da agricultura do país, ficando atrás apenas da soja, cana de açúcar e milho. Mas o que é preciso fazer para manter a qualidade da fibra, aliada à alta produtividade e sustentabilidade da lavoura? Essa questão foi discutida durante a sala temática no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), evento realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de 27 a 29 de agosto. Um time de especialistas se reuniu no Centro de Convenções de Goiânia para apresentar dados sobre o desempenho das variedades de algodão disponíveis para o Cerrado brasileiro.

Dividida em três etapas, as apresentações foram abertas pelo coordenador da mesa, o pesquisador do IMAmt, Jean Bélot que recebeu o pesquisador da Embrapa Algodão, Francisco Farias, para falar sobre regionalização das cultivares, seguindo com Eleusio Freire, consultor técnico da Cotton Consultoria.

De acordo com Eleusio, das 56 variedades que existem no mercado brasileiro chegou-se ao consenso de haver oito variedades mais adaptadas produtivas e com melhor qualidade da fibra. “Como todo mundo está plantando variedades de qualidade, isso tem influência direta na produtividade. Para a indústria têxtil esse número menor de variedades é extremamente positivo, pois elas podem com características de fibras uniformes e de ótima qualidade”, ressalta.

Francisco Farias reuniu dados sobre a importância da seleção das melhores variedades para condições do cerrado brasileiro. “Esses materiais não podem deixar de ter adaptabilidade e estabilidade, conseguindo se manter produtivos mesmo com a variação ambiental”. Francisco apresentou as metodologias GGE Biplot & Binns (1988), relacionando os ambientes favoráveis para o cultivo do algodoeiro no Cerrado.

O solo e sua importância para a produtividade

A sala temática que abordou o tema “Solos: atributos físicos e biológicos – efeitos sobre a produtividade do algodoeiro” esteve sob o comando do pesquisador da Embrapa, Fernando Mendes Lamas. O encontro tem objetivo de chamar a atenção dos profissionais da cotonicultura para além do aspecto químico do solo, mostrando que as questões físicas e biológicas representam uma grande questão para a agricultura atual. “Muitas vezes, um fertilizante químico não obtém o resultado esperado porque o problema é de outra natureza. Cuidar dos aspectos físicos e biológicos do solo reduz custos de produção”, aponta.

A também pesquisadora da Embrapa, Ieda Carvalho apresentou resultados da pesquisa do uso da bioanálise de solo como a mais nova aliada da sustentabilidade na agricultura brasileira. O trabalho apontou dados do diagnóstico realizado em 52 talhões de 24 propriedades em 15 municípios de Goiás, que consiste em agregar duas enzimas (betaglicosidase e sulfatase) às análises de rotina da terra. “Isso possibilita ao produtor acessar, entender e interpretar sua saúde e memória”, explica.

“Solo saudável, planta saudável”. Com este entendimento, Ieda Carvalho verificou que as fazendas produtoras de algodão em Goiás têm preservado o solo, e que a rotação de culturas, o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta são caminhos para o aprimoramento.

Doutor em Agronomia, Anderson Bergamin falou sobre os atributos físicos do solo e sua relação com a produtividade do algodoeiro em diversos sistemas de cultivo. Anderson mostrou como avaliar a compactação e resolver este problema. A apresentação envolveu ainda questões como a disponibilidade de água, rotação de culturas e, principalmente, o sistema radicular e sua importância para ambientes de cultivo com algodão. “As braquiárias apresentam um potencial de melhoria na qualidade física do solo por meio de seu volumoso sistema radicular”, enfatiza.

Os testes foram iniciados em 2016 nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. “Atualmente, começamos a ver na prática das fazendas aquilo que a pesquisa apontou”, comemora.

Por fim, o engenheiro agrônomo Ronaldo Watanabe falou sobre o sistema de produção de algodão em solo arenoso. O estudo vem sendo feito desde 2014 no estado do Mato Grosso e tem como objetivo produzir algodão em solos com menos de 15% de argila, o que, geralmente, consegue garantir certa produtividade para a soja. “O ideal é que o solo possua mais de 40% de argila em sua composição para uma boa produtividade de algodão” compara.

Para Ronaldo, assim como ocorre com vários outros fatores relacionados à terra, a integração de culturas como algodão, milho e soja possibilita melhorar a produtividade e é capaz de mudar as características biológicas do ambiente. “Trata-se da reciclagem de micronutrientes, um fator importantíssimo para a saúde do solo”, conclui.

Combate às pragas spodoptera, ácaro rajado e mosca branca é abordado em sala temática no 12º CBA

Dentro da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece até esta quinta-feira (dia 29), em Goiânia, foi realizada, na tarde desta quarta-feira (dia 28), a Sala Temática Situação atual e alternativas de controle de Spodoptera, ácaro rajado e mosca branca no contexto do Manejo integrado de pragas (MIP). As discussões foram coordenadas pelo engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Algodão, José Ednilson Miranda, que tem ampla experiência na área de Entomologia Agrícola, atuando nos temas de manejo integrado de pragas do algodoeiro, controle biológico, plantas e inseticidas.

Segundo Miranda, hoje a spodoptera - também conhecida como lagarta do cartucho, o ácaro rajado e a mosca branca respondem por cerca de um terço das pragas que atingem o algodoeiro: “As três juntas são um problema do tamanho do bicudo”, explica o pesquisador, que atua no Núcleo Goiânia da Embrapa Algodão.

A estimativa é que as três pragas exigem uma média de 19 aplicações de defensivos por safra, praticamente a mesma intensidade utilizada no caso do bicudo. “Considerando-se hoje o custo do preço da produção do algodão, nosso levantamento mostrou que o valor gasto para combater a spodopetra, os ácaros e mosca branca pode chegar a quase R$ 1,2 mil por hectare.

Professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus Barreiras, Marco Tamai, falou sobre o tema Situação atual dos ácaros do algodoeiro: problemática, medidas de controle e resultados de pesquisa. Tamai destacou a importância do controle do ácaro-verde e, em especial do ácaro-rajado ainda na soja, uma vez que o animal migra de um cultivo para o outro, causando danos às duas culturas.

Situação atual de Spodoptera frugiperda no MT, medidas de controle e desempenho das tecnologias foi o assunto abordado, em seguida, por Jacob Netto, pesquisador entomologista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Atuando na área de manejo integrado de pragas, controle químico e controle biológico, Jacob possui experiência nas áreas de entomologia e fitossanidade.

Já na sua apresentação na sala temática, Cristina de Paula, engenheira agrônoma do Grupo Bom Futuro, falou sobre Mosca branca: problemática atual, medidas de controle e resultados de experimentação. Cristiane ministra palestras e treinamentos para equipes técnicas do Grupo Bom Futuro, para diagnose e quantificação de doenças nas culturas de soja, milho e algodão.

Especialistas alertam quanto aos riscos ligados à fusariose na cultura algodoeira

A Fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual. As plantas doentes mostram um quadro bastante variável de sintomas, a depender do grau de resistência da variedade e das condições ambientais existentes. Como a obtenção de variedades resistentes é a medida de controle economicamente viável, este tema esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28) durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. Os especialistas, Luiz Gonzaga Chitarra, Gabriel Galbieri e Alfredo Ricieri Dias alertaram os participantes quanto aos riscos de inserção da Fusariose nas lavouras de algodão no Brasil.

“Manejamos não apenas uma cultura, mas um sistema agrícola inteiro, o que não é tarefa fácil diante da enormidade do agronegócio algodão no país”, enfatiza Chitarra. Para ele, problemas fitopatológicos como esse precisam de atenção, uma vez que a disseminação do patógeno pode se dar pela semente, por partículas de terra contaminada, arrastadas pelo vento ou pela água, além de implementos agrícolas infectados. “As áreas de cultivo contaminadas permanecem nessa condição por um longo período, pois o organismo sobrevive no solo, produzindo esporos de resistência e sobre restos culturais de algodão ou outros materiais orgânicos”, alerta.

Por isso, segundo o especialista, é importante conhecer aspectos que evitem a introdução do Fusarium no Brasil. Entre eles está a qualidade das sementes, que devem ser geneticamente puras, com alto poder de germinação, vigor, livre de contaminantes e padronizadas. “A maioria dos patógenos é transmitida pelas sementes, então, quando o produtor recebe um lote de sementes, precisa identificar as várias espécies de Fusarium que podem vir junto com elas”, explica Chitarra, acrescentando que existem 14 espécies do patógeno que causa danos expressivos à cultura.

Existem oito raças da Fusariose no mundo. No Brasil, foi detectada apenas a raça 6, porém, o maior risco é a introdução da raça 4, originária da Índia, mas já detectada na Califórnia, Novo México e Texas. “Trata-se de uma raça que causa muitos prejuízos à lavoura e, uma vez introduzida, fica difícil controlar ou erradicar porque é uma doença que pode infectar com muita severidade as plantas brasileiras”, diz Chitarra, explicando que a transmissão da Índia para os EUA se deu via importação de sementes e equipamentos agrícolas usados. “E para evitar que essa realidade chegue ao Brasil, pesquisadores, produtores, consultores e técnicos precisam trabalhar juntos, estabelecendo medidas de controle para evitar o trânsito de máquinas, escolher sementes sadias de fornecedores idôneos, promover a rotação de culturas e usar cultivares resistentes. Prevenir é sempre melhor do que remediar”, finaliza.

Pesquisadores debatem estratégias de controle de ervas daninhas nas culturas de algodão

Nos últimos anos, com a utilização em larga escala de variedades transgênicas, os produtores rurais e pesquisadores vêm identificando a emergência de variedades de plantas daninhas resistentes a herbicidas. Diferentes alternativas de combate a este problema foram debatidas na tarde desta terça (28.08), na sala temática Manejo das plantas daninhas no cultivo do algodoeiro. A atividade integrou a programação do 12o Congresso Brasileiro de Algodão, que acontece até esta quinta (29.08), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

Consultor do Instituto Matogrossense de Algodão (IMAmt), o agrônomo Anderson Cavenaghi fez uma análise das principais plantas daninhas nas culturas de soja, algodão e milho, citando espécies como capim-de-galinha, capim-amargoso, buva e caruru, que vêm preocupando os produtores por sua resistência ao glifosato e outros herbicidas largamente utilizados hoje. “Fica claro que se usarmos a mesma estratégia sempre, uma hora não teremos mais resultados, por isso é preciso pensar num planejamento estratégico do manejo”, destacou o pesquisador.

O pesquisador Robson Osipe, da Universidade Estadual do Norte do Paraná, relatou um cenário semelhante ao discorrer sobre as plantas daninhas resistentes a herbicidas e manejo nos sistemas de produção do sul do Brasil e do Centro Oeste. “Para mim, a maior quebra de paradigma no controle das plantas daninhas, hoje, é o retorno do uso de herbicidas pré-emergentes, apesar do custo elevado e do receio dos produtores com o risco de toxidez”, relatou Robson,

Já o pesquisador da Embrapa Algodão, Alexandre Cunha de Barcelos, chamou atenção para a importância do manejo integrado de ervas daninhas, com a adoção de estratégias de manejo preventivo e cultural – como a limpeza das máquinas para evitar a infestação pelo transporte de sementes – e o sistema de plantio direto, no qual a criação de uma cobertura com palha e restos de vegetais contribui para impedir a germinação e emergência de espécies daninhas.

“A orientação mais importante é que apenas o herbicida sozinho não será eficiente, em médio e longo prazo, como medida de controle”, afirmou o pesquisador, ao ressaltar ainda a importância da diversificação de culturas. “Ao fazer rotação de culturas, no entanto, o produtor deve utilizar diferentes cultivares de transgênicos para diferentes herbicidas; se for usar sempre soja, milho e algodão resistentes a glifosato, ele pode ter problemas”, orientou.

Por último, o pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Edson de Andrade, falou sobre o controle de tigueras no sistema soja-algodão. Engenheiro agrônomo com mestrado e doutorado em Agricultura Tropical pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Edson tem trabalhos sobre temas como manejo de plantas daninhas nas culturas do algodão e soja, plantas daninhas resistentes no estado de Mato Grosso e a destruição química de soqueira do algodoeiro.

Sala temática traça raio-x da qualidade da fibra de algodão

Especialistas do segmento têxtil avaliam como é a qualidade da fibra do algodão brasileiro

“A fibra brasileira e os mercados compradores” foi o tema desta sala, que integrou a programação do segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão. Os participantes tiveram a oportunidade de ver um panorama da qualidade da fibra de algodão brasileiro pela perspectiva de produtores e compradores. Na ocasião, foram apresentadas estatísticas de qualidade da fibra de todas as principais regiões produtoras de algodão no país e como essa qualidade está sendo percebida pela indústria nacional e internacional.

“A qualidade de fibra é uma área bem interessante e o Brasil tem avançado muito. O algodão brasileiro está tentando ganhar uma reputação do produto de boa qualidade. Há um progresso muito grande nos últimos cinco, dez anos”, acredita o coordenador da sala, Liv Severino, agrônomo e chefe geral da Embrapa Algodão.

Para ele, o Brasil avançou muito na questão de qualidade de fibra, mas ainda há muito o que melhorar. “É uma coisa interessante que quando a gente avança, começa a compreender o quanto precisa avançar ainda mais. É o contrário do que seria o senso comum. Hoje a gente está visualizando muitas outras coisas que a gente precisa agora começar a trabalhar. Na verdade, pela estrutura que foi montada em qualidade da fibra agora nós temos condição de atacar coisas muito mais ambiciosas. Realmente, o algodão está melhorando muito a qualidade, estamos conquistando este reconhecimento. Agora, temos que mantê-lo dando passos muito maiores para o futuro”, aponta Liv.

Integrou o time desta sala, o técnico têxtil Edson Mizoguchi, gestor do Centro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) Abrapa, com a palestra "Classificação HVI da fibra brasileira". Ele mostrou aos presentes a evolução da classificação do algodão ao longo dos últimos anos, o que gerou uma uniformização dos resultados obtidos garantindo precisão e confiabilidade. “O programa de análise de classificação tecnológica do algodão tem como objetivo principal garantir o resultado de origem e dar credibilidade e transparência a esses resultados. Para tanto, era necessário que o Brasil tivesse um centro que pudesse ser referência para os demais laboratórios. Assim, surgiu o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), laboratório central situado em Brasília, com certificação internacional. Nosso principal programa é o algodão de checagem”, explica Edson.

A análise com HVI é feita em quase 100% do algodão nacional, diz Ariel Coelho, engenheiro industrial, diretor da CDI do Brasil, filial da CDI Cotton Distributors INC. “Crescemos em produção e qualidade e hoje somos o maior produtor do hemisfério sul”, conta. Em sua palestra, Ariel falou sobre o mercado comprador dessa safra gigante que está sendo colhida agora destacando, ao lado da China, país que foi o maior importador do algodão brasileiro em 2018, países como a Indonésia, Bangladesh e Turquia e em menor escala o Paquistão. “O algodão brasileiro é bem parecido com o americano, com boa penetração no mercado internacional, principalmente o asiático. Nosso algodão tem certificação BCI, o que garante a sustentabilidade e cria um cenário confortável, com produtores que cumprem todas as regras e honram contratos.

O encontro teve, também, a presença do matemático, técnico têxtil e classificador de algodão Francisco Freitas, que trouxe um pouco de sua experiência como gerente industrial no Grupo Vicunha, desde 1986, para falar sobre "A qualidade da fibra para as indústrias brasileiras", tema de sua palestra. Para Freitas, o algodão brasileiro tem atingido as necessidades da Vicunha. “Cada vez mais utilizaremos o algodão nacional. E agora que o Brasil tem a disponibilidade de fornecer algodão o ano inteiro evita que precisemos importar”, comemora. Contudo, para fortalecer o algodão nacional, ele apontou as melhorias que se fazem necessárias a exemplo da contaminação por metais, como parafusos e peças metálicas; plástico amarelo, entre outros materiais. “A contaminação por metais é uma das mais preocupantes, porque pode ocasionar incêndios nas fábricas, causando danos à indústria”, alerta.

Especialistas do Brasil e EUA debatem sobre a fisiologia do algodoeiro

A sala temática tratou da fisiologia do algodoeiro como passo importante para a produção de uma fibra com qualidade, além de ressaltar os estresses aos quais a lavoura está sujeita, como o encharcamento, sombreamento e seca.

“Fisiologia do algodoeiro para produzir uma fibra de qualidade” é o tema desta sala que abriu a segunda rodada de palestras da tarde da quarta-feira, 28 de agosto. Nesse segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, especialistas do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram para tratarem dos principais estresses abióticos aos quais a lavoura algodoeira está sujeita, como encharcamento, sombreamento e seca, além da modulação do crescimento visando tornar a cultura mais precoce, sem prejuízos na produtividade e qualidade.

Coordenador da sala e palestrante, Fábio Echer, engenheiro agrônomo, Dr. Prof. e pesquisador na Unoeste, Presidente Prudente (SP), falou sobre o "Sombreamento e encharcamento: efeitos sobre a fisiologia, produtividade e qualidade do algodão. Echer acredita que estes estresses podem contribuir para a perda de estruturas reprodutivas da planta. A depender do período de sombreamento, o impacto pode ser maior ou menor. Quando acontece no período de florescimento, os impactos são mais severos. “Estamos tentando entender as possíveis soluções para minimizar o problema. Ainda estamos trabalhando com hipóteses, mas sabemos que existe uma solução”, pontua.

O aumento da dose de nitrogênio pode ajudar na recuperação da produtividade, desde que haja umidade suficiente no solo e não haja limitação por temperatura e isso pode vir acompanhado de uma redução da qualidade.

Já o encharcamento se caracteriza pela diminuição da concentração de oxigênio no solo abaixo de 10%, o que ocasiona danos porque as raízes não conseguem respirar. O problema é mais grave em terrenos argilosos e pode ter consequências como a limitação no crescimento articular, diminuição da expansão da folha, baixa absorção de nitrogênio, entre outras. Entre as medidas de prevenção está a ausência de restrição física e química no solo.

Na sequência, o público presente teve a oportunidade de aprender sobre os prejuízos que o déficit de água acarreta na fisiologia do algodão com o americano Glenn Ritchie, PhD, Prof. of Physiology na Texas Tech University. Durante a palestra “Estresse Hídrico: entendendo o impacto do déficit de água na fisiologia do algodão e no manejo”, Ritchie explicou que a falta de água é, sem dúvida, um fator limitante na cotonicultura e pode acarretar danos irreversíveis na qualidade da fibra. Encerrou a mesa de debates, o palestrante Rogério Ferreira, da Basf, que falou sobre a “Modulação do crescimento visando a precocidade da lavoura: impacto sobre a produtividade e qualidade”.

Pesquisadores defendem importância do conhecimento dos ambientes produtivos para a gestão da adubação

Como o conhecimento sobre os ambientes de produção pode ajudar os produtores rurais em suas tomadas de decisão para a realização de uma gestão de adubação mais eficaz? Esta foi uma das questões em destaque na sala temática Gestão da adubação com foco em sistemas e ambientes de produção de algodão, realizada na tarde desta quarta-feira (28.08), como parte da agenda do 12o Congresso Brasileiro do Algodão. O evento reúne mais de 2 mil participantes do Brasil e exterior até esta quinta (29.09), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

Promovido no formato de um talk show, sob a condução da agrônoma Ana Luiza Dias Coelho Borin, da Embrapa Algodão, a sala temática proporcionou um bate-papo dinâmico entre diferentes pesquisadores que são referência na área de adubação, com espaço para o diálogo com a plateia ao final.

Doutora em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Lavras - com pesquisas realizadas desde 2011 sobre fertilidade do solo e nutrição de plantas - Ana Borin começou realizando uma caracterização dos sistemas e ambientes onde se concentram as culturas do algodão, no chamado bioma cerrado. Na sequência, o debate se voltou para o balanço e as exigências nutricionais destes ambientes, e seu impacto para a gestão da adubação.

O coordenador de pesquisa da SLC Agricola Marquel Holzschuh mostrou os resultados de um levantamento sobre textura do solo e produtividade nas fazendas da empresa em seis estados do Centro Oeste e Nordeste. “A comparação da análise da distribuição da argila no solo com o mapa da produção deixa bem claro que, quanto mais argiloso o solo, mais produtivo ele é”, afirmou o agrônomo, ao explicar que a textura argilosa é mais comum na região Cetro Oeste, enquanto no Nordeste predominam os solos arenosos.

Ainda assim, os pesquisadores chamam atenção para o fato de que dentro dos campos de uma mesma fazenda podem ser encontrados diferentes ambientes produtivos. “Não podemos esquecer no dia a dia que o solo tem uma heterogeneidade”, alertou Ana Borin. A afirmação foi reiterada pelo agrônomo Leandro Zancanaro, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). “É preciso que nos ajustemos à necessidade do solo, levando em conta se estamos lidando com um ambiente mais ou menos frágil e responsivo à fertilização”, ressaltou Leandro. Neste mesmo contexto, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (MG). Álvaro Resende deu sequência ao debate, mostrando os resultados de pesquisas sobre estoque de nutrientes e tamponamento (controle de pH) das áreas. “É possível refinar a gestão da adubação quando conhecemos melhor as dinâmicas dos nossos ambientes de produção”, defendeu o pesquisador.

Manejo e boas práticas diminuem a resistência de pragas aos inseticidas e toxinas

O refúgio agrícola é essencial? Existem práticas mais recomendadas para o cultivo das variedades Bt? Qual conjunto de técnicas garante a eficiência da tecnologia e o aumento de produtividade sem colocar a lavoura em risco? Essas respostas foram dadas pelos especialistas Celso Omoto, Celito Breda, Paulo Degrande, Daniela Okuma e Fábio dos Santos durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, na tarde desta quarta-feira (28), em Goiânia.

A chegada da tecnologia Bt no algodão beneficiou os agricultores, apresentando vantagens sobre o método convencional de controle de pragas. Mas, o primeiro algodão transgênico aprovado no Brasil, em 2005, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ainda traz dúvidas e preocupa os produtores quanto ao manejo e à suscetibilidade de insetos e toxina Bt.

Ficou claro para os congressistas que não há como ser eficiente sem levar boas práticas de manejo para o campo. “O monitoramento de pragas é a base para decisões corretas em todos os sentidos. Por isso, precisamos investir em pessoas, sistemas e processos, no intuito de aperfeiçoar esse monitoramento”, afirma Paulo Degrande, ressaltando que as estratégias devem estar baseadas nos ecossistemas, buscando a prevenção, análise e as realidades locais.

“Dessa forma, dentro das boas práticas agrícolas não se pode desconsiderar a eliminação de restos culturais, rotação e sucessão de culturas, uso de inseticidas e manejo de habitat, entre outros aspectos”, avalia Degrande, pontuando que existem cinco momentos do manejo, todos com a mesma importância, a serem considerados: pré safra, plantação, reprodutiva, final do ciclo e entre safra.

Controle e prevenção à ramulária são debatidos no 12º Congresso Brasileiro do Algodão

Um dos destaques da programação do segundo dia do 12º CBA foi a Sala Temática que abordou, na tarde desta quarta-feira (dia 28),O manejo de doenças do algodoeiro, das 16h30 às 18h. Na coordenação da sala, estava o pesquisador da Embrapa Algodão, Alderi Araújo, engenheiro agrônomo com mestrado e doutorado na área de Fitopatologia.

Sua palestra focou na ramulária, a doença mais importante do algodoeiro, nas estratégias de controle e nos resultados obtidos nos ensaios de rede para avaliar os fungicidas, na safra 2017/2018. Segundo o pesquisador, o principal objetivo da rede é a padronização de experimentos para ter resultados aplicáveis a toda regiões produtoras do país. O trabalho tem a parceria da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

“A ramulária está dispersa por toda produção de algodão no país, concentrada praticamente noCerrado (mais de 99%). Fatores do climáticos favorecem a disseminação do fungo, como a temperatura quente e a umidade da chuva na região do Cerrado, no período do plantio. Ao mesmo tempo que propicia o desenvolvimento da planta, o clima favorece o avanço do problema”, disse o pesquisador.

Alderi destacou que o controle da doença, que é muito difícil de combater, depende de variáveis como medidas culturais, intervenções genéticas e químicas. “Há cultivares resistentes, mas não imunes aos fungos que causadores da ramulária”.

A sala temática contou ainda com a participação doengenheiro agrônomo Daniel Rosa, que falou sobre aresistência aos fungicidas e apresentou o Plano de Manejo Consciente da Syngenta, onde atua como gerente de Pesquisa e Desenvolvimento. “Hoje, procuramos ser mais proativos que reativos”, afirmou Rosa. Já o gerente agrícola do Grupo Bom Jesus, Eziquiel Vitor, apresentou o temaVisão do produtorsobreo controle de doenças em algodoeiro.

Ferramentas de monitoramento podem diminuir perdas com nematoides

O manejo dos nematoides nos sistemas de cultura dos cerrados esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28), durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. O trio de especialistas, Fabiano Perina, Rafael Galbieri e Rosângela Silva falaram sobre os fatores agravantes que contribuem para o desenvolvimento dessa praga.

“Os nematoides preocupam a cotonicultura brasileira mas existem controles biológicos, genéticos, culturais e químicos que podem ajudar os produtores de forma integrada”, avalia Fabiano Perina, que trouxe um panorama da infestação de nematoides no Oeste da Bahia. Segundo ele, nas safras 2016/2017 e 2017/2018, cerca de 85% das áreas monitoradas foram detectadas com nematoide das lesões e 37% delas, com nematoide das galhas. “Apesar do índice ser menor, é justamente este segundo tipo que causa os maiores prejuízos na região do cerrado”, diz. O estudo contemplou 98 fazendas, 835 amostras em 11 municípios baianos.

Para os especialistas, a grande dificuldade por parte dos produtores é a rotação de cultura completa, a implementação das plantas de cobertura e o elevado trânsito de máquinas nas safras recordes como as de agora. “Esses implementos não são higienizados adequadamente, o que dissemina o nematoide rapidamente para áreas livres”, explica.

Segundo Galbieri, o manejo cultural adequado, a escolha das cultivares mais resistentes ou tolerantes, além do controle biológico da praga e tratos culturais simples são capazes de minimizar o impacto do nematoide nas lavouras. “O ideal é tomar as medidas preventivas para não deixar a praga entrar na fazenda mas, uma vez instalado, o produtor tem que acompanhar e controlar a infestação, usando essas ferramentas de forma associada para que esse conjunto de soluções integradas possa diminuir as perdas na produção”, finaliza Galbieri.

12º CBA tem sala temática sobre colheita e beneficiamento do algodão

Antes de entender sobre colheita e beneficiamento do algodão, é preciso entender sobre todo o ciclo de produção da planta, desde o planejamento agrícola até a entrega final do produto ao cliente. Para compartilhar experiências sobre esses processos mecânicos e sobre como o gerenciamento e planejamento estratégico podem resultar em números positivos de produção e aumento da qualidade da fibra, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão CBA - trouxe representantes de empresas agrícolas especializadas para expor sobre como é feita a colheita e o beneficiamento da planta.

Coordenada pelo chefe geral da Embrapa Algodão, Liv Severino, a sala recebeu como palestrante Luciano Bizzi, gerente de mecanização da SLC Agrícola e Giancarlo Goldoni, sócio coordenador de Engenharia na Cotimes do Brasil. Ambos compartilharam os modelos de produção das empresas.

Bizzi explicou como acontece o processo de mecanização do algodão. Segundo ele, um procedimento de logística de alto custo e que se faz necessário planejamento antes de acontecer de fato a colheita, com objetivo de minimizar todos os impactos do ciclo. “A gente retira uma amostra da planta na lavoura e faz uma análise prévia para saber como está a planta no campo. As condições de colheita, as regulagens das máquinas, velocidade de beneficiamento, tudo é minuciosamente calculado. Após esse estudo é que partimos para os processos mecanizados de colheita e beneficiamento”.

Durante a palestra no CBA, foram apresentados não só os processos de gerenciamento das máquinas, mas também a gestão de pessoal para gerar um melhor aproveitamento de trabalho, ganho em qualidade e aumento em rendimento.

Um dos pontos abordados pela SLC foi a padronização dos processos de colheita e também de limpeza das máquinas. O gerente explicou que além de manter a qualidade da fibra, isso gera a melhoria nos processos periféricos e aproveitamento da jornada do trabalho. “Nossas reuniões são feitas na lavoura. Desde a equipe que faz as refeições até a diretoria”.




Parcerias com outros países, pesquisas, inovações tecnológicas e controle de pragas são algumas das ações importantes para o futuro desse setor que cresce a cada safra colhida no Brasil

Teve início na manhã desta terça-feira, 27 de agosto, a 12ª edição do Congresso Brasileiro de Algodão (CBA). Na solenidade de abertura do evento, que reúne esse ano em Goiânia mais de dois mil inscritos vindos de 20 países e 21 estados brasileiros, o presidente da Abrapa, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Milton Garbugio, destacou que “produzir muito não basta. É preciso produzir com qualidade e eficiência do jeito certo e no tempo certo pra agradar quem vende e quem compra nosso algodão.”

Na sequência, o diretor da Agência Brasileira de Cooperação – ABC, Embaixador Ruy Carlos Pereira, endossou a fala do presidente da Abrapa acrescentando a importância da reflexão sobre o futuro do setor através da cooperação técnica do Brasil com outros países da África e da América Latina, “fortalecendo as parcerias entre produtores e institutos de pesquisa objetivando o uso da fibra natural frente aos sintéticos, que em tempos de sustentabilidade não deixa dúvida de que o algodão é a melhor solução.” O embaixador aproveitou para desejar votos de êxito no evento, que se reveste de grande importância, aprendizado e debate para buscar soluções para os desafios, aprimoramento de políticas públicas e ações no setor algodoeiro.

Também subiram ao palco o Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Antônio Carlos de Sousa Lima Neto representando o governador do estado, Ronaldo Caiado; e o deputado José Mario Schereiner, Presidente do Sistema FAEG/SENAR, representando o Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, João Martins. Na oportunidade, quando a Abrapa comemora seus 20 anos de existência, foram homenageados os ex-presidentes da Associação, João Luiz Ribas Pessa, Jorge Maeda, Eduardo Logemann, João Carlos Jacobsen Rodrigues, Haroldo Rodrigues da Cunha, Sérgio de Marco, Gilson Pinesso, Arlindo Moura e o presidente da atual gestão, Milton Garbugio.

A Associação comemora esse ano duas décadas de trabalho incessante em busca da defesa dos interesses dos produtores de algodão e da qualificação da cotonicultura no país. Os resultados começaram a aparecer em 2001 quando o Brasil garantiu a autossuficiência da produção e abastecimento da indústria nacional. Hoje, o país é o quarto maior produtor e segundo exportador da fibra para os mercados mais exigentes do mundo. A safra 2018/2019, que ainda está sendo colhida em 1,6 milhões de hectares, aponta uma produção de 2,1 milhões de toneladas de plumas de algodão para exportação, segundo dados da Abrapa. Somados a esse número estão 700 mil toneladas de pluma com destino ao abastecimento do mercado interno, de acordo com a Abit, Associação Brasileira da Indústria Têxtil.

Marcaram presença na abertura, ainda, presidentes das associações estaduais de algodão, secretários de estado, presidentes de entidades, presidentes das empresas parceiras do setor, parlamentares, sindicatos rurais e imprensa.

“Cooperação técnica para nós é transmissão de conhecimento. A cooperação técnica no Brasil ajuda a identificar pragas e a prevenir doenças, através do compartilhamento de informações fitotécnicas.”Ruy Carlos Pereira - Agência Brasileira de Cooperação Técnica - ABC

“Muito orgulho de ter um evento como esse no estado de Goiás. Isso é reflexo da força do algodão no nosso estado. Tecnologia, disponibilidade de área e participação de todos os produtores rurais, são elementos que tornam o ambiente favorável para fortalecer cada vez mais o desenvolvimento da cadeia produtiva.”Antônio Carlos Lima Neto - Secretário de Agricultura de Goiás

“Uma jovem entidade de apenas 20 anos já contribuiu tanto com a cotonicultura brasileira. Há 20 anos o algodão estava praticamente dizimado. Através de aspectos sanitários, expansão da ciência, desenvolvimento de programas de sustentabilidade ambiental, hoje essa é a cadeia produtiva mais organizada do país.”José Mário Schreiner – Deputado e Presidente do Sistema FAEG/SENAR

Primeira plenária do 12º CBA reúne líderes do setor para discutir o desafio da safra recorde de 2,8 milhões de toneladas

Um Raio-X da safra 2018/2019: ônus e bônus de uma safra recorde foi o tema da primeira Plenária Master do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que teve início nesta terça-feira (dia 27), no Centro de Convenções de Goiânia.Mediado pelo analista da Agroconsult, Marcos Rubin, o debate contou com a participação do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Milton Garbugio, do presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Julio Cézar Busato, do vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Eraí Maggi Scheffer, do presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Moresco, e do presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Henrique Snitcovski.

Abrindo as discussões, Marcos Rubin destacou que o setor do algodão cresceu nos últimos três anos mais de duas vezes, com safra inédita estimada em 2,8 milhões de toneladas de pluma em 2018/2019. “Isso é muito benéfico, mas gera desafios, porque não se consegue crescer sem fazer investimentos, que precisam ser pagos ao longo do tempo. Também é preciso treinar equipes, ajustar operações, combinar com clientes. São questões inerentes ao crescimento não só no setor do algodão, mas em qualquer outro” destacou.

Entre os desafios elencados pelo analista, se destacaram a oferta global excedendo a demanda, a guerra comercial, que aumentou a competição entre Brasil e Estados Unidos, uma vez que este último está fora do mercado chinês, além da necessidade de aumentar a exportação, da falta de subsídios, da dependência da taxa de câmbio e de questões sanitárias.

“Este é um setor organizado e muito bem representado pelas associações, o que facilita o enfrentamento das ‘dores do crescimento’ da forma mais suave possível. O grande desafio tem sido, e vai ser ainda mais, posicionar o algodão brasileiro nos clientes; ser não só competitivo em preço, mas ter eficiência dentro das propriedades. Precisamos mostrar quem somos e brigar por mercado”, salientou Rubin

Segundo Milton Garbugio, em função do rápido crescimento do volume da produção brasileira, a Abrapa vem buscando participar cada vez mais do mercado internacional. “Temos que ser eficientes, buscar cooperação com os governos estaduais e federal, mas, principalmente, promover nosso algodão lá fora, o que já é feito hoje. Nosso foco é aumentar a confiabilidade de nossos clientes” disse o presidente da associação.

Para Henrique Snitcovski, da Anea, é importante ressaltar a evolução do setor nas últimas duas décadas. “Há 20 anos o Brasil produzia apenas para cobrir a falta do algodão no segundo semestre. Hoje temos regularidade para atender o mercado ao longo de todo o ano”, colocou, enfatizando que isso só foi possível graças à crescente cooperação com as associações de produtores. Otimista, o presidente da Abapa acredita que os maiores desafios ficaram no passado. “Hoje já somos 2º exportador do mundo e quarto maior produtor mundial. O mercado está aí. Temos de nos tornar conhecidos, mostrando nosso produto e diferenciais, como o sistema de análises de laboratório, dentre outros. Vamos conquistar espaço, apresentando quem somos e o que o fazemos”, disse Busato.

Na avaliação do vice-presidente Ampa, Eraí Maggi, o importante agora é que cada um faça seu dever de casa. “Ao longo dos últimos anos, as associações já tiveram um trabalho muito árduo, desde a lavoura à prospecção de mercado, e conseguiram consertar muitos problemas. Temos agora que continuar com nosso trabalho”, destaca Maggi. Provocado sobre o valor estimado algodão de US$ 0,60 libra-peso, Carlos Moresco disse que o desafio não é fácil, mas é possível vencê-lo. “Concordo com Eraí. O que precisamos é fazer levar essas discussões para o campo e fazer nosso dever de casa”, afirmou presidente da Agopa.

Ricardo Amorim aposta no crescimento do agro apesar das crises internacionais

O consultor acredita que há grandes chances de crescimento para o setor do agronegócio no Brasil, a menos que haja uma recessão da economia global e que a crise diplomática instaurada recentemente, em decorrência das declarações do presidente Jair Bolsonaro, em relação às queimadas na Amazônia, se agrave.

Eleito pela Revista Forbes como um dos 100 brasileiros mais influentes e o economista mais reconhecido do Brasil, o consultor Ricardo Amorim foi destaque na agenda do primeiro dia do 12o Congresso Brasileiro de Algodão. À frente da plenária das 11h45 do dia 27 de agosto, o apresentador do programa Manhattan Connection, da Globo News, e CEO da Ricam Consultoria, apresentou ao público do evento uma análise sobre o agronegócio brasileiro no contexto da guerra comercial e da recuperação da economia.

Amorim prevê uma aceleração da economia a partir do ano que vem, graças a fatores como a aprovação final da reforma da Previdência, a expectativa de avanço da reforma tributária, além da, recentemente aprovada, Medida Provisória que facilita a abertura de negócios no Brasil e do programa de privatização anunciado pelo Governo Federal. Para Ricardo, se não houver uma crise global de impacto maior, o país irá iniciar um novo ciclo de crescimento, atraindo investimentos externos. “Tendo por base a inovação, acredito que este é o momento certo para o agronegócio”, aposta.

O consultor acredita ainda que a guerra comercial dos Estados Unidos com a China deve contribuir para impulsionar as exportações brasileiras para o gigante asiático. Ele alerta, no entanto, para o risco de que esta mesma guerra comercial possa levar a economia mundial a uma recessão, com impactos negativos para todos. “Neste caso, porém, os prejuízos serão maiores para o agronegócio americano do que para o Brasil, porque nós aqui temos um mecanismo embutido de proteção, que é a desvalorização do real que ocorre quando há algum tipo de piora na economia mundial”, salienta.

O segundo maior risco para o setor, na opinião do economista, está relacionado à repercussão negativa dos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro sobre a Amazônia, na semana passada. “A motivação por trás das declarações do Bolsonaro está correta, mas a forma como ele falou é que foi completamente errada. Não é brigando e falando mal da mulher do presidente de outro país que você conseguirá mudar o que o outro pensa. Isso não funciona. As declarações que foram feitas colocam em risco as exportações brasileiras. O que a gente tem que fazer é um bom trabalho de comunicação para a opinião pública externa e, sobretudo, interna; temos que trazer informação sem brigar com ninguém. Os brasileiros e o setor agro fazendo isso só terão a ganhar”, alerta Amorim.

Conhecendo os custos e riscos como ferramenta de gestão

A sala “Custos e riscos de sistemas produtivos de algodão e de culturas concorrentes por área” teve como debatedores o Professor Doutor Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA),da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o diretor de Operações da empresa de produção e comercialização de commodities agrícolas O Telhar Agro, Edson Vendruscolo, do estado de Mato Grosso, e o produtor rural Paulo Almeida Schmidt, da Bahia. Em pauta, o que os especialistas entendem como “única ferramenta que o produtor tem gestão sobre a sua rentabilidade”: o controle de custos, com uma análise histórica da evolução da produção, área e produtividade, apresentando um panorama da safra 2010/2011, considerada a melhor da história do algodão do Brasil, até a 2017/2018. Neste período, o Mato Grosso aumentou sua produção em 90%, enquanto na Bahia, praticamente, não houve crescimento.

Condutor da sala, Lucílio Alves apresentou uma análise de comportamento dos riscos da cotonicultura, justificando uma evolução de área muito maior no Mato Grosso do que na Bahia. Edson Vendruscolo e Paulo Schmidt detalharam os custos tanto da safra atual, como as perspectivas para a próxima safra. “Já tínhamos indicativos de um risco muito maior na Bahia que no Mato Grosso, em virtude de fortes choques de clima e também de pragas e doenças. Além disso, outro fator, a mudança de cultivo da primeira para a segunda safra no Mato Grosso. Esse modelo reduziu o risco da atividade em virtude de um custo menor e também porque a soja passou a ser uma cultura agregada ao sistema e não mais concorrente”, explica Alves.

Segundo o professor, a Bahia tem custo maior que o Mato Grosso e a segunda safra do Mato Grosso tem custo menor que a primeira por ser mais curta. Atualmente, de 85 a 90% da área de algodão no Mato Grosso está em segunda safra. “Conhecer a fundo os nossos custos é a diferença entre continuar ou não na atividade. E isso é muito mais que saber o quanto gastamos com insumos, por exemplo. É preciso colocar aí taxas, juros, custos com combates às pragas, gastos com logística e armazenagem e o quanto deles pode ser compartilhado entre diferentes culturas, como soja e milho, por exemplo”, disse Vendruscolo.

O produtor Paulo Schmidt é agricultor no Oeste da Bahia desde a década de 80. Em sua fala ele destacou o aumento de custos por incidências de pragas como lagartas, ramulária, nematoides e o bicudo do algodoeiro. “A cada safra nossos custos ficam mais altos à medida que as tecnologias evoluem. Hoje não tenho certeza de quem está ganhando a briga, se o BT ou a lagarta. Não tem como escapar”, queixa-se. O produtor alerta para o risco de diminuição do tempo de vida de moléculas comprovadamente eficazes e mais baratas contra o bicudo pelo uso prolongado e intensivo contra a praga, cada vez mais forte.

Inovações científicas em genética do algodoeiro pautam sala temática no 12º CBA

A cotonicultura como vitrine para a agricultura do amanhã, é o cerne do 12º Congresso Brasileiro do Algodão - CBA, aberto hoje (27) e segue até quinta-feira (29), no Centro de Convenções de Goiânia. E por falar em futuro, as inovações científicas em genética do algodoeiro, manipulação genética da planta e a seleção genômica, com uma abordagem voltada para o melhoramento genético foram tratados na sala temática que teve como palestrante o pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt, Alberto Souza Bolt.

Apresentada para técnicos, a abordagem, segundo o pesquisador, foi fazer com que as pessoas percebam como o melhoramento genético vem avançando e também apresentar a transgenia no algodão, com novas abordagens em escala comercial e em pesquisa. “O melhoramento é essencial para a cultura do algodão, sem ela não existiria tanto avanço na qualidade e na produção”, ressalta Bolt.

Traçando um paralelo entre passado e presente sobre transgenia e seleção genômica, Alberto Souza explicou que a primeira era pautada na inserção de genes de espécies diferentes, a exemplo da introdução de gene de bactéria para eliminar uma praga. “Hoje em dia já existem tecnologias diferentes que permitem a adição do próprio genoma do algodão”. Sobre seleção genômica, ele explica “no passado, o melhoramento era feito de maneira convencional, a seleção genética era feita com base no fenótipo da planta, o que era visto e hoje em dia, temos a capacidade de fazer uma seleção genética baseada no DNA da planta”.

A sala foi coordenada pelo pesquisador do Centro Francês de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional - CIRAD, Marc Giband.

Alberto Souza Bolt é formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Possui mestrado e doutorado em Genética e Melhoramento, ambos pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt no setor de genética do algodoeiro.

Pragas emergentes e ocasionais são tema de debate no 12º Congresso Brasileiro do Algodão

As mesmas vantagens de clima e solo que fazem do Brasil um terreno propício para uma agricultura intensa e de amplo número de culturas também favorecem o surgimento de doenças e pragas, tanto permanentes quanto esporádicas. A frase é do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus Ilha Solteira, Geraldo Papa, que coordenou, nesta terça-feira (dia 27), a Sala Temática Pragas Emergentes e/ou Ocasionais, dentro da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão.

Na sala temática, foram abordadas as questões relativas ao crescimento da incidência de tripes, aumento dos percevejos dos tipos castanho e marrom e a ocorrência das lesmas e caracóis. Este último assunto, abordado pelo coordenador da sala. Na sua apresentação, o professor explicou os danos causados por esses animais às plântulas, hastes e pecíolos. “Eles raspam o tecido do caule e até mesmo das folhas, causando estragos semelhantes aos dos insetos, e levando à morte das plantas”.

A ocorrência de lesmas e caracóis, classificados como pragas ocasionais, é favorecida pela umidade e matéria orgânica de plantios próximos. As formas de evitar seu aparecimento ou disseminação envolvem o controle mecânico em reboleiras e a dissecação prévia de áreas já infestadas.

O tema Percevejo castanho da raiz e percevejo marrom invasor foi abordado pela pesquisadora da Fundação de Apoio a Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso Lúcia Vivan, que é especialista em entomologia na área do Cerrado. Com maior crescimento registrado nos últimos anos, a tripes é considerada uma praga emergente. O assunto foi apresentado pelo professor e pesquisador Marcos Tamai, da Universidade do Estado da Bahia, Campus Barreiras.

Uso do controle biológico na cultura do algodão é analisado durante o 12º CBA

Na próxima década, as ferramentas de combate das pragas do algodoeiro vão passar pelo Controle Biológico (CB). Essa é a aposta dos pesquisadores Pedro Neves, Fábio Albuquerque e Luciano Brauwers que falaram sobre “Panorama e Potencial de Uso de Agentes de Controle Biológico na Cultura do Algodoeiro”, na tarde desta terça-feira, 27, durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Para eles, o controle biológico oferece diversas ferramentas para conter o avanço de pragas e doenças que comprometem a sustentabilidade da cultura do algodão, além de já ser um negócio consolidado no Brasil e em boa parte do mundo.

Os três especialistas são unânimes ao afirmar que o controle biológico é parte de uma estratégia que inclui o Manejo Integrado de Pragas (MIP), aliando controle químico e biológico para a solução contra as pragas. “Trata-se de uma tecnologia de utilização complexa, que exige filosofia de treinamento e aperfeiçoamento constantes, conforme as condições de campo”, diz Luciano Brauwers, enfatizando que o CB não deve ser usado sozinho para ter viabilidade tanto em pequenas quanto em grandes propriedades.

Para Pedro Neves, o tema não é novidade no Brasil, mas, precisa de ajustes. “O controle biológico começou a ser utilizado enquanto produção “on farm”, diante da falta de produtos comerciais para controle de pragas. Porém, com algumas questões relacionadas aos custos, logística e legislação a serem melhorados”, conta. Segundo ele, entre os principais problemas, estavam as contaminações, a saúde do agricultor, a perda de eficiência e virulência da ferramenta, além da pirataria. “Com o tempo, as condições foram sendo aperfeiçoadas e hoje há assistência técnica especializada, utilização de equipamentos seguros, treinamento na produção, financiamento por associações e órgãos de fomento e controle de qualidade”, enfatiza.

A consolidação da ferramenta, de acordo com o especialista Fábio Albuquerque, passa pela informação. Segundo ele, o CB avançou de 20 a 25% entre os pós-graduados brasileiros, demonstrando o aumento do interesse pelo tema na última década. “Apesar de toda a burocracia, a legislação melhorou e há mais consciência dos produtores. Mas, cerca de 47% deles ainda não usa adequadamente a ferramenta porque não entende que ela deve entrar como parte integrante do sistema algodoeiro, potencializando outros métodos de controle”, finaliza Albuquerque, ressaltando que ainda é preciso caminhar, prospectar e avançar mais.

Sala temática Nutrição do Algodoeiro

Qual a dinâmica do impacto do boro na cultura do algodão? Como as tecnologias para fertilizantes nitrogenados agregam eficiência na adubação do algodoeiro? Quais os cuidados que devem ser tomados na introdução do plantio em novas áreas? Os temas estiveram em pauta na tarde de hoje (27.08) na sala temática Alguns dos desafios da nutrição do algodoeiro, que integrou a programação do 12o Congresso Brasileiro de Algodão, que acontece no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás, até esta quinta (29.08).

Com a coordenação do agrônomo Leandro Zancanaro, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), a sala temática trouxe orientações úteis para os produtores rurais trazidas por pesquisadores. Professor da Faculdade de Ciências Agronômicas, da UNESP, o agrônomo Ciro Rosolem forneceu uma visão geral sobre o uso do boro na fertilização do algodoeiro. “A cadeia do algodão está muito preparada para lidar com a deficiência do boro, mas é preciso pensar também na toxidez”, alertou o pesquisador, ao chamar a atenção para a dose adequada na fertilização.

Outro convidado da sala foi o professor do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras (DCS/UFLA), Douglas Guelfi, que apresentou um panorama das tecnologias para fertilizantes nitrogenados. De acordo com Douglas, o Brasil é o quarto maior consumidor deste tipo de fertilizante do mundo, com 425 milhões de toneladas ao ano. “A forma mais antiga de aplicação destes fertilizantes é por incorporação, mas em condições climáticas adversas, podem ocorrer grandes perdas, principalmente por volatização”, afirmou o pesquisador. Daí, segundo ele, a vantagem das tecnologias que garantem mais flexibilidade na aplicação do fertilizante, independente das condições climáticas.

A sala temática contou ainda com a participação do coordenador geral de pesquisa, diretor técnico e sócio-proprietário da Sigma Soluções Agronômicas Ltda, Nilvo Altmann, que falou sobre a introdução de algodão em áreas novas, destacando aptidões, cuidados e oportunidades.

Aumento da produtividade sem custo e controle de pragas são os destaques do Panorama da Safra na visão do GBCA

Os consultores que integraram o debate sobre o panorama da safra abordaram os desafios da cotonicultura nos próximos anos, com destaque para o aumento da produtividade sem aumento de custo e a importância do controle de pragas através da cooperação entre os produtores de algodão.

Especialistas do setor agro estiveram reunidos no início da tarde desta terça, dia 27 de agosto, para traçar o “Panorama da safra na visão do Grupo Brasileiro de Consultores do Algodão, GBCA”, tema abordado neste primeiro dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão. O agrônomo, entomologista e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Iapar, Walter Jorge dos Santos, coordenou a sala temática, que teve entre os palestrantes, o engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP e consultor, Evaldo Takisawa, sócio proprietário da Ceres Consultoria. Ele destacou a importância do produtor não procrastinar e agir rápido na solução dos problemas apresentados na lavoura. “Sempre falo que quem manda é a planta. O produtor precisa escutá-la e obedecê-la. Ouvir o campo e fazer tudo o que for importante é fundamental”, acredita.

Na sequência, o engenheiro agrônomo Jonas Guerra, da Guerra Consultoria, destacou a importância do Congresso “É um fórum bastante interessante num momento delicado que o país está vivendo”, disse ele, destacando os números que envolvem o estado do Mato Grosso, que nesta safra tem a previsão de produzir de 1.6 milhões de toneladas de algodão em pluma. O desafio do aumento da produtividade sem aumento do custo para os produtores foi o tema central abordado por Guerra. “Devido às pragas, doenças, ervas daninhas e erros no meio do caminho só conseguimos produzir até agora 50% do que temos capacidade. Nós temos que avançar, aumentar a produtividade sem custo utilizando apenas a interferência no ambiente local, fazer com que a planta tenha o manejo correto para a penetração do CO2, adubo que está de graça na nossa atmosfera. Não tenham medo de aumentar a produtividade. Temos que ter no nosso armazém uma grande quantidade de produtos estocados para vender”, ressaltou.

O engenheiro agrônomo baiano Ezelino Carvalho, da Equipe Consultoria Agronômica, apresentou um panorama da safra de algodão na Bahia, destacando o grande número de variedades plantadas e as dificuldades na uniformização de lotes para venda. Carvalho abordou ainda a importância do manejo fitossanitário com o trabalho cooperativo entre os produtores para o controle de pragas resistentes como o bicudo. “Se não fizemos o dever de casa, vamos ter problemas com essa praga de difícil controle. Os agricultores precisam cooperar uns com os outros, senão ninguém vai chegar no fim da estrada, todos ficarão pelo caminho. O trabalho cooperativo é fundamental”, alerta. O agrônomo falou, também sobre biotecnologias, investimento em qualidade, em manejos de resistência de produtos e tecnologias e programas fitossanitários.

Encerrou o encontro, o engenheiro agrônomo, mestre em agronomia, e doutor em genética e melhoramento de plantas, Eleuzio Curvelo Freire, da Cotton Consultoria. Para ele, os estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais são exemplos a serem seguidos por outros estados produtores. “Tem que seguir o exemplo desses pioneiros que fizeram esse trabalho todo no cerrado. Hoje, alimentamos 20% da população do mundo e, digo a vocês, que são as fazendas do Brasil que vão alimentar 50% da população mundial”, finalizou.

Gestão técnica e operacional das lavouras lota sala temática do 12º CBA

Especialistas do setor discutem os desafios técnicos e operacionais das lavouras de algodão nessa sala temática que registrou grande procura por parte do público presente no primeiro dia da 12ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão.

Fechando a segunda rodada de salas temáticas deste primeiro dia do 12º. Congresso Brasileiro do Algodão aconteceu o debate sobre os “Desafios da gestão técnica e operacional das lavouras de algodão”. Sob a coordenação da engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa Algodão, Ana Luiza Borin, especialistas do setor trataram de assuntos relevantes tais como o uso de produtos químicos nas lavouras; a tendência do uso de insumos biológicos no controle de doenças; a necessidade de qualificação dos profissionais envolvidos no cultivo do algodão; a gestão da informação, da produtividade, do clima, entre outros.

“Hoje o grande problema do algodão são os nematoides. Perco grande parte da minha produção por causa deles. A única solução que enxergo é o uso dos biológicos. Contudo, tem muita coisa a ser feita, ainda estamos engatinhando, mas acho que esse é um caminho sem volta”, diz Inácio Modesto Filho, engenheiro agrônomo e diretor técnico de agricultura do Grupo Bom Futuro.

O gerente regional Centro Oeste da SLC Agrícola, Marcio José da Silveira, divide a mesma opinião ressaltando que os produtores precisam trabalhar mais com os biológicos. “Isso é o futuro porque o algodão necessita de muita aplicação de químicos e, se nós não começarmos a trabalhar com produtos menos agressivos, a tendência é aplicarmos mais e mais produtos químicos”, aponta. Ana Luiza Borin complementou que o insumo biológico não tem a praticidade do uso dos químicos, exigindo dos produtores uma readequação em relação ao uso desses insumos nas lavouras.

O planejamento e a condução das lavouras com as experiências do Grupo Bom Futuro, da SLC Agrícola e do Grupo Schlatter foram abordados pelos representantes destas empresas, que também destacaram o planejamento técnico da produtividade e a importância da gestão do clima no cultivo do algodão com o uso de geodrones e pluviômetros que permitem ao produtor tomar as melhores decisões sobre atividades relacionadas ao clima. “Isso nos ajudará a ser mais assertivos. Ainda estamos numa escala pequena, em apenas duas fazendas, mas queremos instalar pluviômetros em todas as unidades”, prevê Márcio, da SLC Agrícola.

Apesar do uso destas tecnologias, André Luís da Silva, do departamento técnico do Grupo Schlatter alerta que está acontecendo uma má distribuição da chuva e, segundo ele, a cada ano está ficando pior. “Para amenizar esse risco é preciso fazer um perfil, na medida do possível, com o planejamento financeiro disso”, avalia.

Na lista dos assuntos em pauta, esteve ainda o uso de plataformas tecnológicas de monitoramento em tempo real visando mostrar a qualidade das operações, medindo a eficiência com resultados satisfatórios. “Tivemos a primeira experiência com o sistema Terravion que produz imagens aéreas semanais, mapas de calor, sensor térmico, infravermelho, o que te permite programar sua aplicação localizada. Sem dúvida, são ferramentas que ajudam a entender o desenvolvimento da lavoura e ganhar produtividade”, explica o agrônomo Severo Amoreli de Figueiredo Filho.

Pesquisadores apresentam avançosda mecanização na cultura do algodão

A mecanização está presente em todos o processo de produção de algodão, da preparação do solo à colheita passando pelo plantio e beneficiamento, com impacto em fatores tão diferentes quanto qualidade, produtividade e custos de produção. Na tarde desta terça (27.08), produtores rurais tiveram a oportunidade de assistir a um panorama de trabalhos sobre o tema, na sala temática A mecanização como fator de melhoria da produtividade. A atividade integra a programação do 12º Congresso Brasileiro de Algodão que acontece até esta quinta (29.08), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

“Quando se fala nos efeitos da mecanização, é preciso pensar em produtividade num sentido amplo, que envolve não apenas aquilo que é medido em arroba por hectares, mas tudo que diz respeito à própria sustentabilidade do modelo produtivo”, ressaltou, na abertura da sala, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Lamas.

Um exemplo prático deste cenário foi demonstrado pelo presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Moresco. Em seu trabalho, ele contou os resultados obtidos com o projeto Fazenda Samambaia, que gerou ganhos de cerca de US$ 350 por hectare a partir do investimento em equipamentos e num sistema de plantio com taxa variável de sementes e adubos.

“A mecanização com tecnologia embarcada tem alto custo e exige mão de obra especializada, mas permite alcançar resultados em ambientes diferenciados e com uma taxa de retorno alta”, afirmou o engenheiro agrônomo, ao ressaltar também que os equipamentos hoje estão mais amigáveis ao usuário. “A agricultura 4.0 já é uma realidade”, finalizou.

Geraldo Pereira, da empresa Equipe consultoria agronômica destacou em sua apresentação o impacto da mecanização na qualidade da pluma. “Hoje, só produzir não adianta, é preciso qualidade, e para isso não basta apenas máquinas de alta tecnologia, mas pessoas qualificadas”, opinou. Já o consultor Milton Ide ressaltou que muito mudou nos últimos 35 anos na mecanização da lavoura. “Pulverizávamos de maneira arcaica com tratores adaptados. Mas não são as máquinas que melhoram a produção, e sim a qualidade na aplicação. Assim como quando há perdas na lavoura, a culpa não é, necessariamente, da máquina. O humano no comando das máquinas ainda é o mais importante”.

Compradores e produtores querem saber: Como reduzir o índice de fibras curtas?

O comprimento das fibras é barreira técnica e econômica para a lavoura algodoeira. Por isso, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão trouxe para os participantes a seguinte questão: "Como reduzir o índice de fibras curtas?". O tema foi abordado pelo pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Jean Louis Belot, pelo professor da Texas Tech University, Glenn Ritchie e pelo Mestre da Universidade de Paris XI, Jean Luc Chanselme na tarde desta terça-feira (27), em Goiânia, já que o mercado internacional tem se mostrado incomodado com os índices elevados de fibras curtas no Brasil.

Para os especialistas, a resistência, a maturidade e a força impactam diretamente no comprimento da fibra que está entre as principais reclamações dos compradores internacionais. “Existem medidas, em nível de campo, para aumentar a maturidade e preservar a fibra, ou seja, há como mitigar este problema e o produtor precisa estar consciente”, afirma Jean Belot. Ele destaca ainda que a qualidade da fibra é inicialmente elaborada no campo, sendo que a variedade irá definir o padrão geral de qualidade intrínseca da fibra, cujas características têm determinismo genético importante como comprimento, diâmetro e resistência. Ele acrescenta ainda que as condições de manejo e de clima irão interferir significativamente sobre fibras. “Daí a importância de alertar os produtores, visando contribuir para a redução do índice de fibras curtas, apesar de não termos algodão de calibração ou mesmo um index de aferição adequado à realidade brasileira”.

Entre as recomendações, o pesquisador aponta o manejo para reduzir o potencial de gerar fibras curtas. “Ele afeta diretamente a resistência que é o parâmetro mais importante a ser avaliado e também correlacionado à maturidade das fibras”, acrescenta Belot, lembrando ainda que a escolha da variedade é fundamental para o comprimento. Outro aspecto salientado por Belot é avaliar a época do plantio, controlar a ramulária tardia, além do uso adequado dos desfoliantes e maturadores. Segundo ele a relação entre o campo e a algodoeira deve estar em harmonia porque os problemas quanto ao índice de fibras curtas são reais, mas não generalizados. “Com todas essas orientações, podemos minimizar o potencial de gerar fibras curtas, melhorar a qualidade do nosso algodão e conquistar ainda mais a confiança do comprador internacional”, finaliza, Belot, ressaltando que o manejo não pode ser esquecido no operacional das fazendas brasileiras.

Biotecnologia e práticas tradicionais se destacam nas estratégias para combate ao bicudo na próxima década

Soluções de curto, médio e longo prazo para controle e combate da praga foram discutidas, nesta terça-feira (dia 27), na sala temática Caminhos e soluções para o bicudo do algodoeiro em 2020/2030, durante 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que segue até quinta-feira (dia 29), no Centro de Convenções de Goiânia. As estratégias apontadas pelos especialistas para enfrentar a principal praga da cotonicultura vão desde as práticas convencionais ao uso da biotecnologia, como o estudo na área de transgenia, que está em andamento na Embrapa.

Coordenada pelo engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal da Grande Dourados Paulo Degrande, a sala temática contou com a participação de especialistas e produtores, que apresentaram resultados de pesquisas, modelos de gestão de programas fitossanitários, além de outras questões relativas ao assunto.

Na sua apresentação, o coordenador da sala elencou os itens do Protocolo de Brasília que traçou as estratégias para combate ao bicudo. Nele, se destacam pontos como a redução da população do inseto no final de safra, colheita rápida e bem-feita, eliminação da soqueira, mapeamento com armadilhas, encurtamento do ciclo de plantio.

Em seguida, o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Júlio Busato, e o pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Guilherme Rolim,falaram sobre experiência nos seus estados. Nos dois casos, os palestrantes ressaltaram os avanços e dificuldades encontradas para manter a praga longe das culturas e reduzir seus impactos financeiros.

“Plataforma do Algodão: desenvolvimento de algodão transgênico resistente ao bicudo”, tema apresentado pelo pesquisador da Embrapa Algodão, José Cavalcanti, busca uma saída que traga mais segurança para os produtores. Segundo o estudioso, os genes usados na transformação vêm da bactéria BT (Bacillus thuringlensis). Iniciada há dois anos, a pesquisa já gerou dois genes e tem, no momento, 20 eventos em teste (bioensaios). “Mas não podemos esquecer que outras fases do projeto serão necessárias, já que a planta também quer eliminar o gene, pois não é parte dela”.

O palestrante da mesa foi o consultor Walter Jorge, que já atuou como pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e acompanha o bicudo desde o início dos anos 80, quando a praga “estourou” no Brasil. Ele falou sobre as práticas tradicionais de manejos e a perspectivas oferecidas pela biotecnologia, desenvolvida no Brasil e na Argentina. Para fechar a sala, o engenheiro florestal, Guido Sanchez, falou sobre a experiência bem-sucedida no controle do bicudo em Campos de Holambra, no Vale do Paranapanema, em São Paulo.

Produção, moda e sustentabilidade em debate

A Pegada Hídrica de uma calça jeans no país que é o maior produtor de algodão sustentável do mundo foi o nome da sala temática do primeiro dia do Congresso Brasileiro do Algodão (12ºCBA) que trouxe à grade majoritariamente técnico-científica do evento a visão de “causa”. O debate encabeçado pela Abrapa, através do diretor executivo da entidade, Marcio Portocarrero, teve como convidados a apresentadora de TV e especialista em ecologia e consumo sustentável, Chiara Gadaleta e o diretor superintendente da Vicunha, Marcel Imaizumi. Abrapa, Vicunha e o Portal Ecoera são parceiras na iniciativa que visa a calcular o consumo direto e indireto desse insumo na vida útil de uma calça jeans, desde o plantio até o consumidor final. A sala reuniu os elos da produção agrícola, da indústria e da moda e sustentabilidade para falar sobre responsabilidade compartilhada no uso do recurso hídrico.

Marcio Portocarrero, em sua apresentação, relacionou os números alcançados pela cotonicultura brasileira e a adoção de uma mentalidade sustentável que elevou o país da categoria de importador de algodão até o posto de segundo maior exportador mundial da pluma. “A sustentabilidade – ambiental, social e econômica – foi entendida como único caminho para fazer renascer e perdurar a produção de algodão no país. A bandeira se tornou um compromisso de todos os cotonicultores, representados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que implementou o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que estabeleceu critérios para certificar, em nível nacional, a pluma sustentável e opera em benchmark com a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI).

A Better Cotton Initiative (BCI) é referência internacional em licenciamento de algodão produzido sob os parâmetros da sustentabilidade. “Trata-se de um programa global que está presente em 21 países, e sua chancela tem sido cada vez mais um diferencial de mercado, neste momento em que há um evidente incremento de procura por produtos produzidos em bases sociais, ambientais e economicamente corretas, como consequência da conscientização do consumidor final”, disse Portocarrero. O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é gerido em cada estado produtor de algodão pelas suas associações filiadas. A parceria referenciada contribuiu para fazer do país o campeão mundial de fibra comprovadamente sustentável, com 31% do montante chancelado pela entidade internacional.

Além de explicar como surgiu e funciona o ABR, Portocarrero informou que o programa já se prepara para dar o próximo passo, com a certificação das algodoeiras no Brasil. “Cada passo que damos na certificação representa um avanço em sustentabilidade. Essas são duas etapas inseparáveis”, afirmou.

“O cotonicultor que adere ao ABR pode, automaticamente, optar por ser, também, licenciado pela BCI. A adesão aos programas é voluntária, e, ao fazê-la, ele se compromete a cumprir um rígido protocolo de boas práticas agrícolas nas suas fazendas, que contempla224itens, só na fase de verificação para diagnóstico que antecede a certificação, e outros 178 para a finalização do processo, que culmina com a expedição do certificado e a consequente emissão dos selos que serão fixados nos fardos”, explicou o executivo.

Pegada

De acordo com Chiara Gadaleta, antes de se mensurar a “Pegada Hídrica”, não se sabia um número fiel à realidade brasileira. O dado que era divulgado era importado do Estados Unidos, difundido pela americana Levis, e indicava um consumo de pouco mais de quatro mil litros por calça jeans. “Mas não sabíamos que metodologia foi utilizada para chegar a ele. Entendemos que precisávamos com urgência fazer esse cálculo, porque aí, sim, criaríamos um senso de responsabilidade compartilhada. Todos, desde o plantio até o descarte da peça, incluindo as lavagens domésticas, somos responsáveis. Esse número de 5196 litros na produção de uma calca jeans é só o começo da conversa, mas ele é importante porque será a partir dele que vamos estabelecer uma meta de redução”, argumenta Gadaleta.

“É muito importante trazer para o congresso um olhar conectado com a atualidade. A moda é o repórter do seu tempo e, portanto, precisa falar sobre sustentabilidade, e, especificamente, sobre água. Esse é um evento técnico e ele precisa estar junto com o conceito de causa. O painel no CBA amplificou na cadeia produtiva uma conversa que é necessária, que pode render muitos frutos e o ambiente é muito propício”, disse Gadaleta. Ela acrescenta que a parceria do Pegada Hídrica com a Vicunha e a Abrapa a surpreendeu muito positivamente. “Fiquei encantada com o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que eu conhecia pouco”, revela. A ideia do projeto que tem por base “medir para gerir” começou há dois anos. “Queríamos entender como a cadeia olhava o recurso hídrico e escolhemos entre a camiseta branca e a calca jeans, a peça mais querida do guarda-roupa do brasileiro.

Grande entusiasta

Para o diretor-superintendente da Vicunha, Marcel Imaizumi, participar do 12º CBA é parte de uma estratégia de sensibilizar o público para um movimento que está vindo do elo da cadeia do consumidor. “A gente vem contribuir com percepções de mudança de comportamento do mercado e como isso vai influenciar no futuro as decisões de compra, inclusive do próprio algodão. O Brasil tem tudo para ser ainda mais competitivo, a primeira escolha dentre os fornecedores de algodão, mas tem um trabalho muito grande a se fazer. A Vicunha é uma grande entusiasta do ABR pelo que ele representa em termos de certificação e rastreabilidade, e ainda há muito a se desenvolver no programa no sentido de causa, que é a sustentabilidade.

12º CBA reúne pesquisadores sobre novas biotecnologias em algodão

Sustentando o alto nível técnico apresentado já no primeiro dia do 12ª Congresso Brasileiro do Algodão, três profissionais reuniram conteúdo sobre o uso das principais biotecnologias herbicidas em algodão, seus resultados e as expectativas para os novos lançamentos. Sob coordenação e comissão científica do presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa, Alexandre Schenkel, a sala temática recebeu como palestrantes o pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt, Edson de Andrade Júnior; Ramiro Ovejero, Líder de Manejo de Resistência de Plantas Daninhas, da Bayer e Rodrigo Werle, Professor Assistente do Departamento de Sistemas de Extensão de Culturas Cientista de Ervas Daninhas, da Universidade de Wisconsin-Madison, que participou por videoconferência para falar sobre “Uso da tecnologia Dicamba® na soja no estado do Wisconsin, Estados Unidos”.

“O uso das biotecnologias está exclusivamente relacionado ao controle das plantas daninhas resistentes”. A frase de Edson de Andrade Júnior é apoiada pelo panorama atual da área algodoeira no Brasil, apresentado na sala temática no 12º CBA. Os dados demonstram a safra 18/19, com área de aproximadamente 1,6 milhões de hectares, as tecnologias usadas e seus altos custos de produção para controle das plantas invasoras e resistentes aos herbicidas glifosato, dicamba e glufosinato.

Ainda sem data prevista para lançamento, Edson Júnior apresentou na ocasião, informações sobre o Algodão Enlist resistente ao 2,4-D e glufosinato de amônio.

Líder de Manejo de Resistência de Plantas Daninhas, da Bayer, Ramiro Ovejero, abordou na palestra “A tecnologia XTend em soja e algodão”. Segundo ele, é preciso debater tecnicamente os problemas atuais já pensando no futuro. “Nosso objetivo é atingir a melhor produtividade possível para ser mais competitivo”. Ovejero defendeu o uso da biotecnologia como forma de contribuir positivamente para a inovação da cotonicultura brasileira, como na geração de oportunidades para o manejo de resistência. “É preciso pensar como será o manejo e seu impacto.

No meio da plateia envolvida com o conteúdo, o diretor de finanças da Polato Sementes, Flávio Garcia, definiu as palestras como enriquecedoras para tomada de decisão referente à gestão de custos. “Mesmo sendo de uma área administrativa, é importante estar atento às mudanças para se antecipar na gestão e controle e não deixar que isso se reflita na produção”.

O 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA) acontece entre os dias 27 e 29 de agosto, em Goiânia/GO, e é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e científico da Embrapa.

Imprensa Abrapa/ 12º CBA

Catarina Guedes – Assessora de Imprensa

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