Temas e formato do CBA acompanham a evolução do setor

Temas e formato do CBA acompanham a evolução do setor

As demandas do setor produtivo e a evolução da cotonicultura a partir da migração do cultivo para o Cerrado permeiam os debates do Congresso Brasileiro do Algodão desde sua primeira edição, há duas décadas. Ao longo dos anos, salas temáticas, mesas redondas, plenárias e workshops foram sendo incorporados à programação do CBA e expandindo o alcance do evento, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

O que começou como um encontro para apresentação de pesquisas produzidas em diferentes instituições do país se transformou no maior evento nacional de algodão.  A última edição, realizada em 2019 em Goiânia, reuniu cerca de 5 mil pessoas relacionadas à cadeia do algodão, entre pesquisadores, produtores, gestores, consultores, empresários. A mudança de formato foi um caminho natural.

“A força e o diferencial do nosso Congresso é o público diversificado. Procuramos apresentar os diversos aspectos que podem interessar a esses públicos”, diz Jean Belot, coordenador-geral da Comissão Científica do 13º CBA, que acontecerá entre 16 e 18 de agosto de 2022, em Salvador. Pesquisador do Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt), Belot participou de todas as edições do Congresso, criado em 1997 pela Embrapa Algodão.

O evento começou a mudar em 2001, em Campo Grande, quando passou a ser organizado pelas associações estaduais.  Desde então, inclui a participação de produtores e consultores nas mesas redondas. “Isso promove uma interação e resulta no debate de temas relevantes para o setor produtivo”, avalia Fernando Lamas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste que também participa desde a primeira edição do CBA “O Congresso não perdeu seu viés científico, mas as discussões são mais aplicadas”, sintetiza.

Na última edição, a grande inovação foi a realização de workshops.  “É um formato de maior convívio, que nos permite tratar de temas relativamente amplos, com diversas abordagens e de um modo muito mais dinâmico, com partes teórica e prática”, explica Jean Belot. As oficinas do 12º CBA abordaram questões como o uso de drones na agricultura e o mapeamento da planta de algodão. O formato foi muito bem recebido pelos congressistas e deve ser consolidado no 13º CBA.

O evento de 2022 contará com 24 salas temáticas e 5 workshops – os temas serão validados pela Comissão Científica em setembro, para definição dos palestrantes. Uma novidade, porém, já pode ser antecipada: pela primeira vez, o CBA terá transmissão online e tradução simultânea para inglês nas discussões de interesse dos compradores internacionais. “Temos que mostrar que estamos atentos à qualidade que eles precisam e fazendo de tudo para melhorar nossos processos de produção. Nosso Congresso também será utilizado para isso”, revela Belot. “É uma consequência de todas as ações da Abrapa para aumentar nossas vendas na Ásia, de forma que o Brasil possa se tornar o maior exportador mundial da fibra em 10 anos”, destaca.

Agenda Científica

A cada nova edição, o que orienta a agenda científica do Congresso Brasileiro do Algodão são as prioridades do setor. A programação procura abarcar a totalidade das preocupações da cadeia produtiva nas duas últimas safras, desde o cultivo até o beneficiamento e o embarque para as indústrias.

Um tema, porém, está presente desde a primeira edição do CBA: o controle de pragas. Eleusio Curvelo Freire, chefe geral da Embrapa Algodão de 1999 a 2003 e coordenador da comissão científica em edições anteriores do congresso, conta que a agenda evoluiu, mas o bicudo e as doenças fúngicas se mantiveram no centro dos debates.  “Não podem faltar temas como avanços da biotecnologia embarcada nas cultivares, bicudo, nematoides e controle biológico de pragas”, pontua.

Alderi Araújo, Chefe Geral da Embrapa Algodão, conta que os primeiros congressos deram destaque ao bicudo e a doenças emergentes, como a ramulose e a chamada doença azul, transmitida pelo pulgão. Novas variedades e custo elevado de inseticidas para controle de pulgão pautaram o 4º CBA, realizado em 2003 em Goiânia. “Em 2005, umas das questões centrais foi custo de produção. Já em 2007, se discutiu um programa de erradicação do bicudo, que não evoluiu porque as condições do Brasil são completamente diferentes das dos EUA”, relata.

Os dois últimos Congressos – 2017 em Maceió e 2019 em Goiânia –  deram ênfase à tecnologia da fibra.  Segundo Jean Belot, o tema tem sido abordado de forma multidisciplinar. “A cada ano, temos que abordar os problemas de fibras curtas e contaminação, para tentar resolver isso a nível de campo, colheita e beneficiamento”, enfatiza o coordenador da Comissão Cientifica. “Com o aumento das exportações para o mercado asiático, é cada vez mais importante produzirmos uma fibra que seja aceita nesse mercado”, pondera.

Neste sentido, Alderi Araújo aponta como temas essenciais todos os fatores  que interferem na qualidade da fibra – sejam de natureza genética, como a qualidade das variedades colocadas no mercado, ou de natureza agronômica. Como caminho para o futuro, o Chefe Geral da Embrapa Algodão aposta na chamada agricultura digital. “Vem sendo feito todo um trabalho que busca a racionalização do uso de insumos nas lavouras, por exemplo. Avançamos muito e já estamos entrando na linha da agricultura 4.0”, garante.

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