Congresso Brasileiro do Algodão cresceu com o setor

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Os desafios e as perspectivas da cotonicultura brasileira vêm sendo debatidos há 24 anos no Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O encontro bianual, que começou como uma reunião de pesquisadores, cresceu com a produção nacional e consolidou-se como uma grande vitrine de novas tecnologias e fórum impulsionador do desenvolvimento do setor.  Em sua 13ª edição, o evento, que aconteceria este mês, foi transferido para agosto de 2022 em razão da pandemia do novo coronavírus.

Muita coisa mudou desde a primeira edição do CBA, realizada em 1997, em Fortaleza, pela Embrapa Algodão – tanto no sistema produtivo quanto no formato do mais importante evento do setor.  Nos anos 90, o Brasil era o segundo maior importador mundial de algodão e buscava alternativas para retomar a cotonicultura, dizimada na década anterior pelo bicudo do algodoeiro.  Hoje, o Brasil é o segundo no ranking de exportadores e tem papel fundamental nesta trajetória.

No começo da década de 90, técnicos e pesquisadores de diferentes instituições se reuniam uma vez ao ano, para difundir os conhecimentos gerados com o objetivo de tornar o Brasil auto-suficiente na produção de algodão. Esses encontros de trabalho foram se ampliando e deram origem ao primeiro Congresso Brasileiro do Algodão.  “A ideia era envolver outros interessados, mas a primeira edição ainda teve um forte caráter técnico-científico”, conta Alderi Araújo, Chefe Geral da Embrapa Algodão.

Na época, o Nordeste tentava recuperar o posto de grande região produtora. Por isso, o tema do 1º CBA foi Algodão Irrigado. O Congresso reuniu em torno de 900 pessoas e foram apresentados 172 trabalhos científicos.  “Algumas empresas participaram como apoiadoras, pois os pesquisadores eram pontes para chegar nos produtores. Diferentemente do que ocorre hoje, quando as indústrias de insumos instalam seus estandes e têm contato direto com o produtor”, destaca Araújo.

Dois anos depois, em Ribeirão Preto, o 2º CBA recebeu cerca de 1200 participantes e 226 trabalhos de pesquisa em torno do tema o Algodão no Século 20 – Perspectivas para o Século 21.  O encontro foi promovido pela Embrapa com apoio do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e começou a atrair produtores e empresas.

A partir do 3º CBA, em Campo Grande, as associações estaduais, vinculadas à Abrapa, assumiram a organização do evento e o setor produtivo começou a ter uma participação mais efetiva. “Isso foi altamente interessante, porque aproximou a academia do setor produtivo, que é a razão de ser de todo o conhecimento que é gerado. Com isso, o algodão passou a ter uma dinâmica totalmente diferente dos congressos sobre outras culturas”, avalia o pesquisador Fernando Lamas, da Embrapa Agropecuária Oeste, que participa desde a primeira edição do CBA.

O encontro de Campo Grande, em 2001, também se caracterizou pela maior presença de fabricantes de adubos, defensivos e outros insumos .  Segundo Alderi Araújo, a consolidação da Lei de Proteção de Cultivares contribuiu para isso. “Até então, a Embrapa era líder no comércio de sementes no Brasil. A legislação permitiu que empresas nacionais e multinacionais pudessem comercializar suas cultivares sem risco de pirataria”, pontua.

Com 4º CBA, realizado em Goiânia em 2003, o Congresso ganhou outra dimensão. O evento é considerado um marco, com a participação expressiva de produtores e da indústria de insumos e sementes.  “Pode-se dizer que em Ribeirão Preto houve a fecundação, em Campo Grande começou a se formar o embrião e em Goiânia nasceu o que é hoje o Congresso Brasileiro de Algodão”, resume Araújo.

Desde então, o CBA rodou o país: Salvador/BA (2005), Uberlândia/MG (2007), Foz do Iguaçu /PR (2009), São Paulo/SP (2011), Brasília/DF (2013), Foz do Iguaçu/PR (2015), Maceió/ AL (2017) e Goiânia/ GO (2019). A partir de 2015, o CBA passou a ser promovido pela Abrapa, com apoio de pesquisadores na comissão científica. “É um Congresso que não perdeu seu viés científico, mas as discussões são mais aplicadas. Os temas e até a forma de abordagem vêm sofrendo mudanças, indo mais ao encontro daquilo que o setor produtivo espera”, acredita Fernando Lamas.

As necessidades do setor produtivo a partir da migração do cultivo do algodão para o Cerrado foram determinantes nessa trajetória. “O Congresso foi mudando com a evolução do algodão e as demandas do produtor”, avalia Odilon Reny, pesquisador, chefe administrativo da Embrapa Algodão e integrante da comissão científica do CBA desde a segunda edição. “Hoje, através desses trabalhos todos apresentados nas últimas duas décadas, o algodão é destaque no cenário do agronegócio brasileiro e mundial”, conclui.

Linha do tempo das edições do Congresso Brasileiro do Algodão

O 13º CBA

A próxima edição do Congresso Brasileiro do Algodão já tem data e local marcados. Será de 16 a 18 de agosto de 2022, em Salvador. O tema não poderia ser mais atual: Algodão Brasileiro: Desafios e Perspectivas no Novo Cenário Mundial.

No ano passado, preços abaixo do custo de produção levaram à redução da área plantada no mundo todo e previsão de recuo de 7% na produção mundial de algodão, totalizando 24,31 milhões de toneladas. O consumo global, em contrapartida, deve crescer 9% e chegar a 24,81 milhões de toneladas na sfra 20/21– ainda abaixo dos  26 milhões registrados antes da pandemia.  É neste contexto que a Abrapa prepara o próximo CBA.

“O 13º CBA já nasce histórico, porque acontecerá logo após o mundo superar a maior prova deste século, até então, a pandemia da Covid-19. Nenhum outro fórum da cotonicultura será tão assertivo para debater as ameaças e oportunidades neste cenário”,  afirma Júlio César Busato, presidente da Abrapa e do 13º Congresso Brasileiro do Algodão.  “Tenho certeza de que vamos ganhar esta guerra, e, mais do que isso, aprender e nos fortalecer com ela. Nossas armas serão conhecimento e tecnologia”, conclui.

Para aquecer os motores, a entidade contará o que está sendo programado pra 2022 em uma live de Esquenta marcada para o próximo dia 27 de agosto. O evento será transmitido pelo canal da Abrapa no youtube. Acompanhe as novidades pelas redes sociais do CBA.

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